Os riscos e as consequências da nomofobia

Por Antônio Alves Sobreira Neto (Estudante)

A ascendente submissão diante das novas tecnologias informacionais trouxe à tona quadros como a “nomofobia”. Esse conceito refere-se ao medo irracional da ausência de aparelhos celulares tendo como motivação usos compulsivos. Tal condição adquire dimensões psicológicas, sociais e físicas, constituindo problemática abrangente.
É notável que os modernos telefones possuem atributos viciantes. Não obstante, são preponderantemente as redes sociais (disponíveis em tais dispositivos) que agravam a subordinação do usuário. Tais “sites” dispõem de mecanismos compensatórios similares aos “cassinos”, pois associam a aprovação (“likes”) aos mecanismos neuronais relacionados às sensações de prazer, incitando novas postagens e aumentando a razão de dependência.
Ademais, a dita “aversão” promove dificuldade de interação social, criando “ilhas” e fomentando o isolacionismo. Isso é perceptível em 91 % das crianças e adolescentes do Brasil, demonstrando o alto potencial de incidência do transtorno supracitado em jovens. Destarte, percebe-se a ratificação de ideias as quais apontam a tecnologia como escravizadora de indivíduos, criadas pelos teóricos da “Escola de Frankfurt” na década de 1930.
Pela perspectiva fisiológica, percebem-se danos à postura, acarretando problemas como escoliose e cifose, resultantes de posicionamentos oblíquos, os quais visam aproximar o rosto à tela dos dispositivos. Contudo, os maiores danos estão atrelados ao funcionamento neurológico, tendo em vista que a exposição constante às interfaces luminosas desregula a secreção de melatonina (hormônio responsável por regular o sono), danificando o “relógio biológico”. Isso acarreta inclusive aumento nos casos de distúrbios psicológicos como depressão e ansiedade.
Faz-se necessário que as empresas públicas e privadas criem campanhas midiáticas que demonstrem o número de atividades as quais poderiam ser praticadas com o tempo “perdido” nos “smartphones”, demonstrando estatisticamente os benefícios de não se tornar “vassalo” do mundo virtual. Além disso, cabe às instituições sociais (igrejas, escolas e estabelecimentos comerciais) desenvolverem políticas de recompensas (descontos e políticas de troca dos créditos adquiridos) às pessoas que não se utilizem de aparelhos celulares durante processos de socialização. Assim, estimulam-se mais interações concretas, diminuindo o efeito da “nomofobia”.
À proporção que tais medidas são aplicadas, os ideais da “Escola de Frankfurt” tornar-se-ão defasados.

*Texto produzido na Oficina de Redação do Professor José Roberto Duarte