Como a relação entre professor e aluno impacta na aprendizagem?

Por Iasmin de Souza Guimarães (Estudante)

Na série “Merlí”, distribuída pela Netflix, é apresentada uma classe de alunos do ensino médio que começa a ter interesse pela matéria de filosofia ao entrar em contato com as aulas de um professor dinâmico e incentivador. Nesse sentido, percebe-se que a boa interação entre docentes e aprendizes pode potencializar a aprendizagem. Assim, deve-se analisar os efeitos gerados, a priori, por uma relação construtiva de diálogo e, a posteriori, por uma relação de autoritarismo, que gera impactos negativos, mas persiste nos ambientes de ensino.
Primeiramente, é fundamental entender que a educação horizontal promove mais respeito e colaboração entre alunos e professores. De acordo com Paulo Freire, patrono da educação brasileira, é essencial que haja diálogo para que o conhecimento seja construído. Isto é, a troca de conteúdos e experiências precisa ocorrer para que se estabeleça a educação, sendo por isso chamada de horizontal. Dessa forma, o aluno não vê o professor como superior, mas sim como um mediador, o que aumenta o interesse e, consequentemente, a aprendizagem.
No entanto, é possível observar que ainda existe forte hierarquização em instituições de ensino, ou seja, a educação vertical, que gera bloqueios e traumas nos alunos. Isso porque, ainda sob a perspectiva freiriana, em “Pedagogia do oprimido”, se a educação não for libertadora, o sonho do oprimido será o de ser opressor. Ou seja, quando a relação entre professor e aluno tem como base o autoritarismo e a noção de superioridade, é criado um bloqueio para a aprendizagem e a vontade de reproduzir o sistema de ensino ao qual o aluno se adequou.
Infere-se, portanto, a urgência de medidas para combater a educação vertical. O governo pode, por meio do Ministério da Educação, promover cursos e palestras sobre o método do dialogismo de Paulo Freire, a fim de direcionar os professores para uma educação mais saudável, mais interativa e, principalmente, libertadora. Complementarmente a essa ação, o Estado pode convidar instituições de ensino particulares a se juntar a essa causa, para que os docentes de todos os ambientes tenham essa nova visão sobre educação. Logo, assim como ocorreu com os alunos de filosofia da série “Merlí”, os estudantes não ficcionais terão mais vontade e apoio para estudar e será consolidada a aprendizagem efetiva.

*Texto produzido na Oficina de Redação do Professor José Roberto Duarte