Em pleno contexto de Revolução Técnico-Científico-Informacional, é preocupante que, em contraposição ao avanço tecnológico no que tange ao aumento das capacidades de produção e produtividade, persista o subaproveitamento dos subprodutos dessa produção, como o descarte incorreto do e-lixo (lixo eletrônico) e a ausência da reinserção dele no ciclo produtivo. Nesse contexto, é alarmante a recorrência deste problema, visto que, em virtude do descarte negligente do e-lixo, consequências, como o dano ambiental e à saúde humana, tornaram-se mais frequentes, o que é grave.


Com efeito, o inadequado descarte do e-lixo representa obstáculo à preservação do meio ambiente. A esse respeito, a empresa Apple implementou, em 2020, políticas privadas de controle de produção e consumo, o que pode ser observado pela compra do "iphone", seu principal produto, sem o respectivo carregador, com o intuito de reduzir os impactos ambientais provenientes de sua cadeia de produção. Essa iniciativa da Apple, embora socialmente reprovada e ironizada pelo público consumidor, diminuiria problemas como a poluição de solos e lençóis freáticos, frutos do rejeito irresponsável do e-lixo.


Outrossim, o dano à saúde advindo do contato humano com esses rejeitos mal direcionados - repletos de metais pesados e outros componentes tóxicos - tem reflexos em variados setores fisiológicos, e até genéticos. Problemas relacionados à descalcificação dos ossos, irreparáveis distúrbios cerebrais, insuficiência renal e respiratória, entre outros, são frequentemente associados ao consumo indireto de metais pesados - cobre, mercúrio, chumbo, cádmio- que acumulam no organismo humano, bem como cânceres e tumores malignos. Assim, é incoerente que se perpetue o mau descarte do e-lixo, o que fragiliza direitos humanos, na medida em que fere a saúde da população.


Urge, portanto, que, assim como a revolução tecnológica da produtividade de empresas, o adequado descarte do e-lixo seja alcançado. Para tanto, corporações públicas e privadas devem realizar, com frequência, o recolhimento do material eletrônico em desuso, disponibilizados pelos consumidores, por meio de políticas direcionados à logística reversa, a fim de reinserir o e-lixo na cadeia produtiva e diminuir impactos ambientais, como pretende a Apple.


Ademais, o Ministério da Saúde deve alertar os brasileiros acerca das consequências à saúde decorrentes do indevido descarte do e-lixo, por meio de campanhas informativas, principalmente em horário nobre na mídia televisiva, com o objetivo de atenuar os prejuízos ao meio ambiente, e, consequentemente, à saúde humana, provenientes do descaso com resíduos eletroeletrônicos.


Tais medidas farão com que a atual revolução nos meios de produção promova a reintegração do e-lixo na cadeia produtiva, com intuito de reduzir impactos ambientais e à saúde da população brasileira.

* Texto produzido na Oficina de Redação do Professor José Roberto Duarte