Maestro Mano, adeus e muito obrigado


Nesta semana, Iguatu perdeu um de seus mais ilustres filhos, ainda que discreto, mas com trabalho social, educacional e notadamente cultural imensurável. Maestro Francisco Prudêncio de Oliveira, ou simplesmente Mano, porque a simplicidade lhe era peculiar. Conheci Mano nos anos 1990, no então Colégio São José, da congregação da Filhas de Santa Teresa, instituição que prestou relevantes serviços educacionais por mais de 75 anos. A diretora era a irmã Lígia Rangel, educadora firme, mas de enorme coração. Mano a procurou e propôs a concessão de bolsas de estudos a integrantes da Banda Municipal Maestro Manuel Ferreira Lima, por ele regida. Irmã Lígia aquiesceu e vários jovens carentes cujas famílias não podiam arcar com as mensalidades tiveram a oportunidade de estudar naquela tradicional e conceituada casa de educação.

Depois nos encontramos em diversas outras oportunidades, quando em eventos e comemorações ele, com profissionalismo, elegância, talento e mansidão nos presenteava ao lado de seus regidos com apresentações da banda municipal. Mano ainda marcou definitivamente a história do também conceituado e tradicional Centro Educacional Ruy Barbosa, quando deu forma à ideia do professor Vêber Andrade, acatada pelo inesquecível Dr. Edson Gouveia, e tornou-se professor e maestro da Banda de Música Manoel Vêber Andrade, da escola cenecista, ensinando notas musicais, sons, ritmos, harmonia e principalmente valores. Sua história é inspiradora. Sua vida foi uma sinfonia, uma marchinha, um xote, um baião, todos os ritmos, sem jamais perder o compasso. Sua existência foi marcada por servir. Sua obra é indelével. Obrigado, maestro. Iguatu não pode e nem deve ignorar seu legado, pelo bem da nossa cultura, pela sobrevivência e valorização da nossa história. O dobrado agora é no céu.