Após os escândalos de corrupção expostos com veemência pela Lava Jato dominarem a mídia e o cotidiano dos brasileiros, os cidadãos assistem perplexos a um festival de denúncias, investigações, prisões, condenações, dissimulação. Mal amanhece o dia, há uma busca frenética por notícias sobre a última prisão, detalhes da delação de algum dos presos e/ou investigados. A imprensa exerce papel fundamental na divulgação dos fatos. Todavia, não basta apenas acompanhar o noticiário. A população precisa estar informada para que se manifeste e apoie as ações da Polícia Federal e do Ministério Público. É preciso se indignar, protestar para que os crimes e criminosos não fiquem impunes. O Brasil vive um momento ímpar que pode trazer significativas mudanças e renovação da classe política. Isso só será possível se houver união de forças de diversos seguimentos para que aconteça ‘higienização’ de agentes públicos corruptos.
Durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que aceitou, na quarta-feira, 22 de junho, por 11 votos a 0, denúncia apresentada contra o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por suposto recebimento e movimentação de propina em contas secretas na Suíça, o ministro Luís Roberto Barroso considerou estar em curso uma nova mudança de paradigma, em que a sociedade passa a não mais aceitar desvios de dinheiro público. “Assim como historicamente se tornou inaceitável discriminar negros, bater em mulher, dirigir embriagado, a nomeação de parentes para cargos públicos, acho que está em curso uma nova mudança de paradigma para não tornar aceitável desviar-se dinheiro público, seja para financiamento eleitoral, seja para o próprio bolso”, afirmou. Roberto Barroso se mostrou oportuno e lúcido na sua declaração. É esse sentimento que deve contagiar todos os cidadãos brasileiros para que haja efetiva participação na vigilância, denúncia e combate à corrupção.