Agora eu quero tudo, tudo outra vez

Em 2004, no seu 3º aniversário o jornal A Praça trouxe o cantor e compositor Belchior a Iguatu. Na sexta-feira, 02 de abril, o CRI recebeu grande público de fãs que cantaram, dançaram e se emocionaram ao som das canções eternas de Belchior. Foi uma noite mágica. Ele é um cara excepcional. Grande poeta, compositor. Traduziu em letras e versos memoráveis o sentimento da minha e de tantas outras gerações.

Para nós que fazemos o A Praça a expectativa começou logo que se confirmou o show, muitos dias antes. Naquele 02 de abril, à tarde, estava no colégio Ruy Barbosa ministrando aula. Paulo de Tarso me liga, avisando que Belchior ia chegar às 14h. Fomos para o Chalé. Belchior, a namorada, Tota, Giovani Oliveira, Cláudio Teixeira, Chico Pio, Hildernando Bezerra, Paulo de Tarso e eu. Foram momentos mágicos e inesquecíveis. Bel, como o tratava seu ex-colega do curso de medicina na UFC Hildernando, nos encantava com simpatia, simplicidade e humildade. Muitos risos, ele bebendo o vinho que trouxe na mochila, contando histórias com excelente humor. Comeu peixe, bebeu mais vinho.

No fim da tarde, informamos que o A Praça estava promovendo salão de artes plásticas e uma oficina de caricaturas no SESC. Ele fez questão de visitar. Foi comigo no meu Gol branco. Elogiou muito o jornal do interior. Propôs parceria pra disco exclusivo com apoio do jornal, através de sua gravadora Cameratti, recém-lançada. No SESC autografou painel produzido por crianças que participaram da oficina de caricaturas. No painel, parte da programação do aniversário do A Praça, Belchior assinou saudando Humberto Teixeira, Eleazar de Carvalho e Evaldo Gouveia. Está na entrada da sala da diretoria.

 

Fui deixá-lo no hotel Havenna.

 

À noite, já no CRI, expectativa para o show. Paulo me chama para irmos ao hotel levar o cachê. Dinheiro numa caixa de sapatos. Aguardamos na recepção. Fomos autorizados a subir até a suíte onde Belchior estava. Ele abre a porta, enrolado em toalha azul, cabelos ainda molhados do banho recente. Sorriso, doçura demonstra seu rosto. Não confere o dinheiro. Diz que vai fazer uma grande apresentação. Pede salgados, frios e uísque no camarim.

No CRI, sobe ao palco com uma indefectível calça vermelha. Quanta personalidade! Estava muito à vontade. Cantou, conversou, desabafou, filosofou. Encantou o público.

No final, no camarim, peço autógrafo e foto. Sou prontamente atendido. Alerto-o que tem uma multidão querendo fotos e autógrafos. Ele sorri e diz que vai atender a todos. Quem quis fotos ou autógrafos foi prontamente atendido com cortesia. Já no sábado, à tarde, tenho notícia de que Belchior saiu do CRI às 7h, após atender todos os fãs.

Sinto-me extremamente privilegiado de fazer parte dessa história. Quanta honra e saudade me traz agora o contato pessoal que tive com o genial Belchior.

Morre uma lenda da nossa música popular. A tristeza da perda é consolada pela certeza de que morre o homem, mas a sua obra e o seu legado são imortais.

Viva o jornal A Praça por registrar a nossa história!

Viva Belchior!