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Sábado, 28 Setembro 2019 00:19

Violência contra professores no Brasil do século 21 Destaque

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José Victor Dantas dos Santos*
Em 1789, o Iluminismo consolidou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, garantindo pela primeira vez a dignidade humana a todos. Entretanto, os frequentes casos de violência contra o professor impedem que este experimente o ideal iluminista na prática. Com efeito, à redução da violência contra o educador, o debate entre família e escola é medida que se impõe.
A princípio, os níveis de violência contra o professor no Brasil fogem à normalidade esperada por sociedades civis. Nesse viés, pesquisas feitas pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo apontaram que 44% dos docentes que atuavam no estado afirmaram já ter sofrido algum tipo de agressão - verbal, física, vandalismo. Ocorre que, em outros países, como a Romênia e a Coreia do Sul, essa realidade, presente no Brasil, é diferente, uma vez que o índice de violência contra aqueles chega a ser nulo. Portanto, não é razoável que o ultraje à imagem do docente por meio da agressão se mantenha em um país que almeja ser desenvolvido.

De outra parte, a violência na escola é a manifestação da maldade que se banalizou. A esse respeito, a filósofa Hannah Arendt disserta que atitudes cruéis fazem parte do cotidiano moderno, o que define o conceito de Banalidade do Mal. Nesse sentido, a continuidade da agressão contra os professores pode tornar a crueldade - denunciada por Arendt - cada vez mais presente e fragilizar de forma irreparável a harmonia que resta no ambiente escolar. Desse modo, é incoerente que a sociedade busque ser mais pacífica, mas persista em perpetuar a violência nesse meio de socialização.
Outrossim, a precariedade do ensino se mostra obstáculo à redução da agressão ao educador. Consoante a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e Cultura), as escolas de menor desenvoltura educacional - com alunos indisciplinados e com baixo rendimento - apresentam casos de violência mais presentes. Sendo assim, as escolas, em especial as públicas, se inserem entre as estudadas pela UNESCO, pois tendem a demonstrar dificuldade à atenuação da violência contra o professor devido às condutas repugnantes dos alunos e à precariedade das medidas punitivas, o que se mostra grave problema social e deve ser erradicado sob pena de prejuízos à nação.
O ideal Iluminista de dignidade humana, portanto, precisa ser realidade no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação deve problematizar os índices alarmantes de violência contra o professor, por meio de reuniões entre Família e Escola, a fim de mostrar, com clareza, a incoerência de um país que busca o desenvolvimento representar tal regresso na educação. Por sua vez, os próprios professores e estudantes precisam cobrar mais ação do Estado, por intermédio de denúncias realizadas, com o suporte do Ministério Público, contra escolas negligentes, como aquelas que se omitem, a fim de que a agressão contra o educador deixe de ser um problema silenciado.

*Pré-vestibulando
Texto produzido na Oficina de Redação do Professor José Roberto Duarte

 

Lido 353 vezes Modificado: Quarta, 30 Outubro 2019 00:03
José Roberto Duarte

Iguatuense, professor do ensino básico, formado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará. Além da atuação educacional, é também colunista e diretor de redação do Jornal A Praça de Iguatu, e comentarista esportivo da Mais FM 106,1

1 Comentário

  • Link do comentário Maria do Socorro Dantas Sarmento Quinta, 30 Janeiro 2020 12:22 postado por Maria do Socorro Dantas Sarmento

    Bom dia! Professor, sou tia do Victor. Ele tirou 940 na redação do Enem. Mas, não foi possível ingressar no desejado curso de Medicina. Porém, continua tentando. Estou vos enviando está mensagem ,pois sei que deste a sua contribuição nesta evolução do Victor. Obrigada!

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