Quarta, 24 Junho 2009 13:12

R$ 5 bilhões

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Plano Agrícola para financiar médio produtor
Na safra 2009/2010, o médio produtor brasileiro terá R$ 5 bilhões para financiar a lavoura, 72% a mais do que no ciclo anterior, por meio do Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger Rural). Reformulado para permitir que mais agricultores tenham acesso ao crédito com condições facilitadas, o programa faz parte do Plano Agrícola e Pecuário para a próxima safra anunciado, nesta segunda-feira, em Londrina(PR). O Proger também dobra o limite de renda do produtor que pode ter acesso ao crédito. A partir deste semestre, o agricultor com renda bruta anual de até R$ 500 mil está apto a buscar o financiamento. Já os limites de crédito subiram de R$ 150 mil para R$ 250 mil.
No total, o Plano destina R$ 107,5 bilhões para financiar plantio, colheita, venda e seguro rural na próxima safra, que começa em julho. “O governo entende que a agropecuária é um dos setores que mais contribui para o Brasil sair da crise econômica mundial”, comentou o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes.

Cooperativas
Responsável por quase 40% da produção nacional de grãos, o cooperativismo mereceu destaque no Plano 2009/2010, com R$ 2 bilhões destinados ao Programa de Capitalização das Cooperativas (Procap Agro) – criado para promover a ampliação de capital de giro e a reestruturação da estrutura patrimonial das cooperativas de produção agropecuária, agroindustrial, aquícola e pesqueira. O Procap Agro também permite o aumento do capital de giro associado ou não a um projeto de investimento, além do custeio ou saneamento financeiro. O limite de financiamento é de R$ 25 mil por associado. Já o limite por cooperativa foi estabelecido em R$ 50 milhões. A linha de crédito, com taxas anuais de 6,75%, tem prazo de reembolso de até seis anos.

Sustentabilidade
O pioneiro do Plantio Direto na Palha no Brasil, Herbert Arnold Bartz, foi homenageado com a medalha Apolônio Salles, durante o lançamento do Plano Agrícola. Para deter a a erosão, Bartz, em 1972, buscou conhecimento o plantio direto, desenvolvido nos Estados Unidos. Além de aumentar a produtividade e poupar combustível e fertilizantes, a técnica  aumenta a matéria orgânica.
Nesta próxima safra, os produtores terão R$ 1,5 bilhão para investir na reinserção de áreas no processo produtivo, na correção e conservação do solo bem como na adoção de práticas sustentáveis no campo. São mais R$ 500 milhões em relação ao ciclo 2008/2009. Os recursos também serão aplicados na adoção de sistemas de produção sustentáveis, como o Integração Lavoura-Pecuária-Silvicultura (ILPS) e o Orgânico.
Também para incentivar a produção sustentável, será concedido até 15% mais crédito de custeio para quem tenha reservas legais e áreas de proteção permanentes, ou tenha plano de recuperação das áreas. Há também outros programas de investimento, como a construção e a modernização de equipamentos para tratamento de dejetos e projetos de adequação sanitária e ambiental. Já o Programa de Plantio Comercial e Recuperação de Florestas (Propflora) concede crédito para a manutenção de florestas com fins econômicos e a recomposição de áreas de preservação permanente e de reserva legal.
Os programas de investimento tiveram acréscimo de 37% na safra 2009/2010 e vão contar com R$ 14 bilhões. Os recursos para custeio e comercialização a juros controlados (taxas fixas) subiram 20,2%, alcançando o valor recorde de R$ 54,2 bilhões. O novo Plano abrange também a criação de linhas de financiamento que favorecem o produtor, a ampliação de limites de crédito e a inclusão de modalidades nas linhas de crédito disponíveis.
Os preços mínimos para 33 culturas foram reajustados em até 65%. O aumento dos valores inclui as culturas mais expressivas, como arroz (20%), leite (15%), raiz de mandioca (12%), soja (10%) e milho (6%).
O orçamento para o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR) em 2009, é de R$ 182 milhões. Para atender à demanda apresentada pelas seguradoras, o governo federal está propondo ao Congresso Nacional a elevação deste valor para R$ 273 milhões. Esses recursos possibilitarão o atendimento a 90 mil produtores e cobertura de 8,1 milhões de hectares, quase o dobro do verificado em 2008.
Quarta, 24 Junho 2009 12:54

Urca 2009.1 'Fogo morto'

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Fogo Morto
Publicado em 1943, "Fogo Morto", é uma contundente visão do processo de mudanças sociais e econômicas do Nordeste brasileiro. O título refere-se à transformação do Engenho Santa Fé, localizado na zona da mata da Paraíba, de núcleo de poder econômico a pólo de miséria, com o apagar definitivo de suas fornalhas.
"Fogo morto" é a expressão utilizada no Nordeste para denunciar a inatividade de um engenho. A forma como José Lins conta esse processo ultrapassa a mera classificação geralmente dada ao livro de romance regionalista e o insere na tradição brasileira, que inclui "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo, como narrativa que toma como protagonista não um personagem isolado, mas um local, no caso, o engenho decadente.
Estilo do autor
Marcado por frases curtas, pela espontaneidade e oralidade, próprias do cotidiano, o estilo do autor já se faz presente em "Menino de Engenho", seu primeiro romance, de 1932, que lhe rendeu o Prêmio da Fundação Graça Aranha. Esse livro já integra o seu ciclo da cana-de-açúcar, completado ainda por "Doidinho" (1933), "Bangüê" (1934), "O Moleque Ricardo" (1935), "Usina" (1936) e o próprio "Fogo Morto" (1943).
O último romance dessa saga nordestina é dividido em três partes: "Mestre José Amaro", "O Engenho de Seu Lula" e "Capitão Vitorino Carneiro da Cunha". A primeira trata especificamente do seleiro homônimo. Cada vez mais ensimesmado e agressivo, é abandonado pela esposa, vê a filha enlouquecer e perde o emprego com a progressiva crise econômica. Solitário, suicida-se.
Engenho em declínio
A segunda focaliza o próprio Engenho Santa Fé. Inicialmente, há a prosperidade levada adiante pelo fundador, o capitão Tomás Cabral de Melo. Já o seu genro, Luís César de Holanda Chacon, o Seu Lula, mais aristocrático, religioso e extremamente preconceituoso em relação aos negros, conduz o empreendimento ao declínio.
O Capitão Vitorino é o centro das atenções na parte final. Compadre de mestre Amaro e ironizado até a segunda parte do livro, torna-se, no último terço, um Dom Quixote (alusão ao personagem de Miguel de Cervantes) do sertão nordestino, com todo um discurso em prol da justiça e da igualdade social, que desafia o poder dos latifundiários. Sonhava então em atingir o poder político e, mesmo sem possibilidades concretas de tornar esse desejo realidade, imagina-se em postos de comando, escolhendo assessores e recebendo aclamações da população.
Temos assim, a narrativa de três fracassos: o seleiro que dá fim à sua existência isolado, o engenho cujo fogo não é mais aceso e o sonhador que vive mergulhado em suas fantasias de atingir uma posição social que está, na prática, bem distante dele. Essas derrotas são narradas com vigor por um escritor que, como mostrou seu discurso de posse na ABL, nunca se preocupou em agradar ao poder, seja na esfera literária, econômica ou política.

Oscar D'Ambrosio*
Terça, 23 Junho 2009 21:52

Redação

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Como escrever uma boa redação no vestibular
A prova de redação dos vestibulares do país visa a avaliar a capacidade de expressão na modalidade escrita da língua portuguesa. O candidato, geralmente, deve produzir um texto dissertativo com base em um tema especificado pela banca elaboradora da prova e na norma culta da língua.
De acordo com o professor de redação Vinícius Carvalho, a maior dificuldade do aluno ao tentar escrever uma boa redação é, justamente, começar: “O aluno que não faz um planejamento do que vai escrever perde minutos preciosos olhando a folha em branco”.
Para desenvolver sua capacidade de redigir textos, segundo o professor, o aluno deve, primeiramente, ler textos escritos por outras pessoas. Dessa forma, o indivíduo habitua-se ao discurso escrito e internaliza suas formas intrínsecas. “Além disso, o aluno deve atentar para a forma de seu texto, pois este deve adequar-se à tipologia cobrada pela prova. É importante que ele se lembre de que cada tipo de texto tem características próprias”.
Uma redação espontânea e natural, que possa agradar os dois lados da comunicação - o do vestibulando e o do examinador -, é uma boa dica. Para que isso aconteça, é essencial que o estudante mantenha-se atualizado aos acontecimentos do país e do mundo, lendo jornais e revistas e participando de debates. Assim, antes de produzir o texto, o aluno terá um bom conteúdo crítico e poderá decidir qual é o seu posicionamento frente ao tema, a fim de delimitar que aspectos ele irá abranger. “É fundamental que esse recorte seja dado para que o aluno construa sua linha de raciocínio. A partir daí, ele deve selecionar os argumentos que embasarão a exposição de seu ponto de vista. Com esse planejamento, o aluno já está pronto para escrever”, enumera Vinícius.
Escrever bem é redigir com clareza, coerência, coesão e objetividade, tendo-se em mente o uso da criatividade como ferramenta essencial para esse processo. Os critérios de avaliação mais abrangentes referem-se ao desenvolvimento do tema, à observância da apresentação, à tipologia textual, ao domínio da expressão escrita e à adequação à norma culta, como diz o professor: “Períodos longos, que atrapalham a leitura e confundem o avaliador; mera listagem de argumentos, sem aprofundamento das idéias; pontos finais separando orações principais e suas subordinadas são alguns dos erros mais cometidos”.
Embora caligrafia não conste dentre os quesitos avaliados pela banca, estudos comprovam que a letra influencia o avaliador. “Uma pesquisa colocou, dentre as redações corrigidas por um mesmo avaliador, dois textos idênticos quanto ao conteúdo, mas redigidas com letras diferentes - um padrão bom e um ruim. O texto com “letra feia” recebeu notas mais baixas na esmagadora maioria das vezes”, revelou Vinícius.
Até por influência das aulas de geografia e dos dados fornecidos nos jornais, alguns vestibulandos inserem estatísticas em suas provas de redação a fim de demonstrar domínio do tema. O aluno pode, mas deve evitar, nas argumentações, dados excessivos, porcentagens. “Só não pode inventá-los para dar maior credibilidade a seus argumentos”, aconselha Vinícius, “A banca quer que o aluno contextualize, discuta e conclua com suas próprias inferências o tema proposto”.
Afinal, como escrever bem? “Escrever, escrever e escrever. Só treinando o aluno conseguirá definir seu estilo de escrita, construir um discurso próprio, desenvolver autocontrole e aprender a articular suas opiniões. Deve escrever com simplicidade, usando palavras comuns, mas sem usar gírias ou linguagem coloquial. Não basta o aluno saber todas as normas gramaticais. Ele deve ter conteúdo crítico acima de tudo”, conclui o professor.
Terça, 23 Junho 2009 18:55

Leitura

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Lê melhor quem lê a vida
Por João Augusto, da Brasil Que Lê - Agência de Notícias
Em 2007 foram 467 crianças e jovens, de 11 a 24 anos, beneficiados em atividades de leitura, escrita, passeios e produção artístico-cultural e literária, além do desenvolvimento de matérias e reportagens para jornal, internet, rádio e TV. Este é o projeto Lê melhor quem Lê a Vida, que teve início em 2001 e vem sendo realizado até hoje na cidade de São Mateus, no Espírito Santo, pelo Centro Cultural Araçá.
A ideia de unir várias atividades e meios de comunicação para inclusão social de crianças e jovens foi da pedagoga Margarida Maria Alacoque de Vasconcelos, mestre em lingüística. Ela verificou que o público que freqüentava o Centro Cultural Araçá tinha um bom desempenho quando se tratava de atividades práticas e artísticas; no entanto, nas escolas, eles não tinham essa avaliação. Ela percebeu ainda que o problema relacionava-se diretamente ao fato de pertencerem a famílias não-letradas que não valorizavam e não estimulavam o hábito da leitura aos filhos.
Nasce, então, o projeto, que apresenta uma proposta inovadora de estímulo à leitura e à escrita, através das diversas linguagens e mídias, despertando habilidades artísticas e técnicas. Igualmente, atende às expectativas da modernidade como proporciona geração de renda, qualificação e inserção de jovens no mercado de trabalho. Na prática, isto se dá pela promoção de cursos e oficinas de leitura e produção textual como poesia, textos jornalísticos, publicidade e propaganda, história em quadrinhos, roteiro para vídeos e programas de rádio e televisão, contadores de história, informática, fotografia, operação de câmera e vídeo, com vista à produção final dos mais diversificados veículos comunicação.
Outra ação importante é a Biblioteca Volante, que uma vez por semana vai a oito bairros, estendendo a leitura a mais 200 crianças e adolescentes. Na biblioteca fixa, o número de usuários aumentou em 25%.
A partir de 2002, o Lê melhor quem Lê a Vida recebeu o patrocínio da Petrobras, após ser selecionado em concurso nacional do Programa Geração da Paz. Em 2004, fez parte do Programa Fome Zero e, em 2008, do Programa Desenvolvimento e Cidadania. Também tem patrocínio do Banco do Nordeste Brasileiro (BNB) e do Instituto OI Futuro, além das parcerias com as escolas da rede pública.
Para conhecer um pouco mais sobre o projeto, visite o site www.projetoaraca.org.br ou entre em contato pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou, ainda, pelo telefone (27) 3763-5309.
Terça, 23 Junho 2009 18:48

Resumo Urca 2009.1

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Terra Sonâmbula

Mia Couto é um inventor de palavras e um explorador de sonhos. Começo assim, directo, porque há que dizer o que tem de ser dito. O autor moçambicano é um dos mais lidos em Portugal mas apenas me chegou agora aos olhos, através do romance de 1992 Terra Sonâmbula. Futuros encontros aguardam-se, agora falemos deste livro.

Quem diz um livro diz dois, Terra Sonâmbula são duas histórias praticamente distintas contadas ao mesmo tempo. Num primeiro plano temos o menino Muidinga que não tem memória da sua infância, não sabe quem são os seus pais ou a sua família, e é tratado por Tuahir desde que se lembra, um velho que decidiu tomar o jovem debaixo da sua asa. Ao abandonarem um campo de refugiados, encontram num machibombo incendiado o seu novo poiso. Lá encontram também os cadernos de Kindzu que o menino lê todas as noites e onde o leitor vê o segundo plano da narração. A história de Kindzu é bem mais intrigante, jovem decide abandonar a sua terra para se tornar um Naparama, um guerreiro da paz, e acaba por se ver a buscar uma criança de uma mãe renegada, Farida. São histórias de busca, Tuahir só quer encontrar a paz, Muidinga quer encontrar o seu passado, Kindzu quer encontrar Gaspar, o filho de Farida. Tudo o que conseguem é encontrarem-se uns aos outros.

A leitura começa por se apresentar como difícil para um leitor novo no mundo de Mia Couto mas, simultaneamente, atraente. Como disse, é um inventor de palavras, palavras cativantes e sonoras que envolvem o leitor como num sonho, o que, aliás, se conjuga perfeitamente com a história. Isto para além de todos os regionalismos próprios do país africano. Ao nível linguístico, é um rebuçado. A espantosa qualidade de criação de palavras morfologicamente correctas é extasiante - se lhe imitasse o estilo, diria que Mia Couto faz brincacriação com as palavras - mas também extenuante. Para mim, pelo menos. A repetição constante de gerúndios inexistentes na língua portuguesa acaba por ter o efeito adverso ao pretendido, retira-lhes o significado. Ler Terra Sonâmbula pode ser uma experiência muito cansativa porque nos força, várias vezes por página, a reproduzir o processo que ocorreu na mente do autor para a criação de determinado vocábulo - o que não é necessariamente uma coisa má, antes pelo contrário, a literatura não é entretenimento, é literatura.

Falemos agora da narrativa. O conceito da história dentro da história, diga-se em verdade, não é novo mas não é isso que lhe retira mérito. No entanto, fica a sensação que Mia Couto não se propôs a escrever uma história dentro de outra, antes uma história ao lado de outra, a narrativa de Kindzu toma um papel muito maior que a saga de Tuahir e Muidinga. Foi, sem dúvida, aquilo que me pareceu menos conseguido. Dá a impressão que a história dos caminhantes começa com um grande fôlego, pelo meio resiste para se manter viva, e no fim tem um impulso mais ou menos repentino, por oposição aos cadernos de Kindzu que são um verdadeiro repositório de sonhos, imaginário e realidade. Pergunto-me se não funcionariam melhor como contos separados. A verdade é que mesmo com este pequeno senão, Terra Sonâmbula consegue ser um bom livro. Com mestria, mistura guerra e sonho, ilusão e paz, humanidade e sobrevivência, África e o resto do mundo. As tradições e superstições moçambicanas representam uma parte importante da trama e opõem-se à dura realidade de um país devastado pela morte. A mistura é de tal ordem que, a certo ponto, não se sabe se se sonha com a destruição ou com a vida, e a miséria é tão banal que o extraordinário é haver comida na mesa.

Terra Sonâmbula é, de muitas maneiras, um livro chocante. No entanto, o choque é atenuado pelo sonho e superstições africanas, para o leitor como para os viventes da narrativa. É um livro que nunca dorme, numa terra que tem medo de dormir, com personagens que, quando dormem, sonham com outros personagens que nunca dormem porque têm medo de dormir. É a realidade dentro de um sonho dentro da realidade de um sonho. Labiríntico, sem dúvida. Impressionante, definitivamente. Ficou-me, no entanto, um amargo de boca, talvez por levar expectativas diferentes ou demasiado altas, Terra Sonâmbula não me apresentou um Mia Couto como eu esperava conhecer. O que, diga-se, também não é necessariamente mau.

Referências Bibliográficas: Terra Sonâmbula, Mia Couto.

 

Terça, 23 Junho 2009 18:39

Redação no vestibular

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Como escrever uma boa redação no vestibular
A prova de redação dos vestibulares do país visa a avaliar a capacidade de expressão na modalidade escrita da língua portuguesa. O candidato, geralmente, deve produzir um texto dissertativo com base em um tema especificado pela banca elaboradora da prova e na norma culta da língua.
De acordo com o professor de redação Vinícius Carvalho, a maior dificuldade do aluno ao tentar escrever uma boa redação é, justamente, começar: “O aluno que não faz um planejamento do que vai escrever perde minutos preciosos olhando a folha em branco”.
Para desenvolver sua capacidade de redigir textos, segundo o professor, o aluno deve, primeiramente, ler textos escritos por outras pessoas. Dessa forma, o indivíduo habitua-se ao discurso escrito e internaliza suas formas intrínsecas. “Além disso, o aluno deve atentar para a forma de seu texto, pois este deve adequar-se à tipologia cobrada pela prova. É importante que ele se lembre de que cada tipo de texto tem características próprias”.
Uma redação espontânea e natural, que possa agradar os dois lados da comunicação - o do vestibulando e o do examinador -, é uma boa dica. Para que isso aconteça, é essencial que o estudante mantenha-se atualizado aos acontecimentos do país e do mundo, lendo jornais e revistas e participando de debates. Assim, antes de produzir o texto, o aluno terá um bom conteúdo crítico e poderá decidir qual é o seu posicionamento frente ao tema, a fim de delimitar que aspectos ele irá abranger. “É fundamental que esse recorte seja dado para que o aluno construa sua linha de raciocínio. A partir daí, ele deve selecionar os argumentos que embasarão a exposição de seu ponto de vista. Com esse planejamento, o aluno já está pronto para escrever”, enumera Vinícius.
Escrever bem é redigir com clareza, coerência, coesão e objetividade, tendo-se em mente o uso da criatividade como ferramenta essencial para esse processo. Os critérios de avaliação mais abrangentes referem-se ao desenvolvimento do tema, à observância da apresentação, à tipologia textual, ao domínio da expressão escrita e à adequação à norma culta, como diz o professor: “Períodos longos, que atrapalham a leitura e confundem o avaliador; mera listagem de argumentos, sem aprofundamento das idéias; pontos finais separando orações principais e suas subordinadas são alguns dos erros mais cometidos”.
Embora caligrafia não conste dentre os quesitos avaliados pela banca, estudos comprovam que a letra influencia o avaliador. “Uma pesquisa colocou, dentre as redações corrigidas por um mesmo avaliador, dois textos idênticos quanto ao conteúdo, mas redigidas com letras diferentes - um padrão bom e um ruim. O texto com “letra feia” recebeu notas mais baixas na esmagadora maioria das vezes”, revelou Vinícius.
Até por influência das aulas de geografia e dos dados fornecidos nos jornais, alguns vestibulandos inserem estatísticas em suas provas de redação a fim de demonstrar domínio do tema. O aluno pode, mas deve evitar, nas argumentações, dados excessivos, porcentagens. “Só não pode inventá-los para dar maior credibilidade a seus argumentos”, aconselha Vinícius, “A banca quer que o aluno contextualize, discuta e conclua com suas próprias inferências o tema proposto”.
Afinal, como escrever bem? “Escrever, escrever e escrever. Só treinando o aluno conseguirá definir seu estilo de escrita, construir um discurso próprio, desenvolver autocontrole e aprender a articular suas opiniões. Deve escrever com simplicidade, usando palavras comuns, mas sem usar gírias ou linguagem coloquial. Não basta o aluno saber todas as normas gramaticais. Ele deve ter conteúdo crítico acima de tudo”, conclui o professor.

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Sobre o Autor

  • José Roberto Duarte, iguatuense, professor do ensino básico, formado em Letras pela Universidade Estadual do…

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