Sábado, 04 Julho 2009 00:05

Processo penal

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Mutirão carcerário no Ceará no próximo dia 13
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), irá realizar um mutirão carcerário no Estado, a partir do próximo dia 13. Na quinta-feira (02), o coordenador dos mutirões, juiz Erivaldo Ribeiro dos Santos, e o juiz federal Marcelo Lobão estiveram em Fortaleza acertando os detalhes dos trabalhos. No Ceará, a população carcerária é de aproximadamente 13.500 detentos. Os presos provisórios, aqueles que ainda não foram julgados, correspondem a 45,72% do total. Nos mutirões, juízes, promotores, defensores públicos e servidores se unem para agilizar a análise de todos os casos. O esforço concentrado é promovido por organismos com atuação no sistema carcerário e visa à análise de todos os processos penais do Estado. O CNJ pretende realizar mutirões carcerários em todo o país. Esse ano, já foram ou estão sendo realizados mutirões nos Estados do Espírito Santo, Alagoas, Tocantins, Amazonas e Goiás. Com os mutirões realizados em 2008 e 2009, foram libertos, até o dia 1º de julho, 3.487 presos.
Terça, 30 Junho 2009 20:22

Urca 2009.1 Alice Ruiz

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Alice Ruiz começou a escrever contos com 9 anos de idade, e versos aos 16. Foi "poeta de gaveta" até os 26 anos, quando publicou, em revistas e jornais culturais, alguns poemas. Mas só lançou seu primeiro livro aos 34 anos.
Aos 22 anos casou com Paulo Leminski e pela primeira vez, mostrou a alguém o que escrevia. Surpreso, Leminski comentou que ela escrevia haikais, termo que até então Alice não conhecia. Mas encantou-se com a forma poética japonesa, passando então estudar com profundidade o haicai e seus poetas, tendo traduzido quatro livros de autores e autoras japonesas, nos anos 1980.
Teve três filhos com o poeta: Miguel Ângelo Leminski, Áurea Alice Leminski e Estrela Ruiz Leminski. Estrela também é uma grande poeta: acabou de lançar um livro, junto com o Yuuka de Alice: Cupido: Cuspido e Escarrado (ambos saíram pela Editora AMEOP, de Porto Alegre) - provando que, filha de duas feras, essa Estrela tem luz própria.
Alice publicou, até agora, 15 livros, entre poesia, traduções e uma história infantil, que você pode conhecer clicando em Bibliografia.
Compõe letras desde os 26 anos - a primeira parceria foi uma brincadeira com Leminski, que se chamou "Nóis Fumo" e só foi gravada em 2004, por Mário Gallera. A poeta tem mais de 50 músicas gravadas por parceiros e intérpretes. Está lançando, em 2005, seu primeiro CD, o Paralelas, em parceria com Alzira Espíndola, pela Duncan Discos, com as participações especialíssimas de Zélia Duncan e Arnaldo Antunes. Para conhecer essas gravações e os parceiros da poeta, dê uma olhadinha em Discografia!
Antes da publicação de seu primeiro livro, Navalhanaliga, em dezembro de 1980, já havia escrito textos feministas, no início dos anos 1970 e editado algumas revistas, além de textos publicitários e roteiros de histórias em quadrinhos. Alguns de seus primeiros poemas foram publicados somente em 1984, quando lançou Pelos Pêlos pela Brasiliense. Já ganhou vários prêmios, incluindo o Jabuti de Poesia, de 1989, pelo livro Vice Versos.
Já participou do projeto Arte Postal, pela Arte Pau Brasil; da Exposição Transcriar - Poemas em Vídeo Texto, no III Encontro de Semiótica, em 1985, SP; do Poesia em Out-Door, Arte na Rua II, SP, em 1984; Poesia em Out-Door, 100 anos da Av. Paulista, em 1991; da XVII Bienal, arte em Vídeo Texto e também integrou o júri de 8 encontros nacionais de haikai, em São Paulo.
As aulas de haikai são uma experiência única para quem já fez - Alice convence a gente que no fundo de cada um existe um poeta louco pra despertar, e descobrimos surpresos que sim, é possível!
Quer saber mais sobre Alice Ruiz? Então passeie pelas páginas do site - e depois não se esqueça de escrever pra ela, contando o que você descobriu aqui!

“do jeito que as coisas vão
até parecem felizes
comportando tanto impossível
nunca do jeito que são
coisas pelo contrário
pessoas perdem matizes
viram vultos sombras nadas
coisas quando serão?”


“mesmo que eu morra
dessa morte disforme
o esquecimento
não lamento
viver ou morrer
é o de menos
a vida inteira
pode ser
qualquer momento
ser feliz ou não
questão de talento
quanto ao resto
este poema
que não fiz
fica ao vento
mãos mais hábeis
inventem”


“apaixonada
apaixotudo
apaixoquase”


“primeiro verso do ano
é pra você
brisa que passa
deixando marca de brasa”


“assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei
parte da tua leitura”


“minuto a minuto
quis um dia
todo azul
no teu dia
meu querer
quero crer
azulou
teu dia a dia
tudo
que podia

pequeno
tinha um pensamento
a selva
quando crescer
em algum lugar
na selva
corre grande
um pensamento”


“jamais amei um santo
nem cantei um hino
só quero morar
contígua a um sino
som que continua
desenhando templos”


“não vai dar tempo
de viver outra vida
posso perder o trem
pegar a viagem errada
ficar parada
não muda nada
também
pode nunca chegar
a passagem de volta
e meia vamos dar”
Terça, 30 Junho 2009 19:49

Urca 2009.1 Patativa do Assaré

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Patativa do Assaré
Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, nasceu na Serra de Santana, a 18 Km da cidade de Assaré, em 5 de março de 1909. Filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva, família pobre, perdeu o pai aos oito anos, passando a partir daí a trabalhar na roça para garantir o sustento da família.
Logo que ingressou na escola, aos doze anos, passou a escrever poesia e produzir pequenos textos. Quando ganhou uma viola da mãe, aos dezesseis anos, ingressou na arte dos repentes, apresentando-se em saraus e pequenas festividades de sua cidade natal.
O nome “Patativa” surgiu devido à semelhança entre seu canto e o do pássaro Patativa, ave nordestina que possui um canto mavioso e singular, quando o jovem poeta tinha apenas vinte anos. Com um nome artístico, passou a viajar pela região cantando seus repentes e apresentando-se várias vezes na rádio Araripe.
Sua obra tem grande destaque na literatura cearense. Um dos seus poemas mais conhecidos, “A triste partida”, foi cantado por Luiz Gonzaga, rei do baião. O poema fala de uma família de retirantes que, sofrendo com a seca, parte para São Paulo em busca de dias melhores. Tão bem interpretada, que Patativa enaltece o talento do artista:
“A letra e a melodia de “A triste partida” são minhas, mas nada se compara à gravação do rei do baião. A toada ficou muito mais penosa quando ele colocou aqueles refrães: “ai, ai, ai”, acompanhada daqueles: ”meu Deus, meu Deus”. Aquilo é muito belo, é muito mais penoso. (Feitosa, 2003:206)
Sua poesia experimentou as cantorias e seus desafios, o cordel e sua dicção repentista, a alfabetização iniciática e as leituras dos clássicos da poesia universal. Atravessou o limiar dos terreiros para se abrigar nas praças, junto aos feirantes. Invadiu as ondas do rádio e se difundiu na mídia de tal maneira que não há como classificá-lo entre “popular” e “erudito”, “regional” e “universal”, pois o canto de Patativa é eterno e universal (op. cit., p.8).
A grande satisfação do poeta era “ser reconhecido” como cumpridor de sua missão de poeta, que destacou seu papel de defensor de seu “Caboclo roceiro” mesmo vivendo numa comunidade rural atrasada, dominada por coronéis que monopolizavam a agricultura, sendo refém do descaso dos governantes em relação ao problema da seca. Essa opressão nunca abateu seu ânimo: antes fortaleceu-o ainda mais, tornando-o um cidadão mais crítico, que através da sua poesia denunciava os problemas sociais e se defendia das investidas dos poderosos. Isso lhe custou uma rápida prisão e ameaças. Contudo, garantiu-lhe o título da qual se orgulhava: “poeta da justiça social”.
Patativa é considerado o gênio da literatura cearense, por ser um poeta dotado de habilidades especiais. Ele sempre teve consciência do seu dom e do seu valor como poeta. Ele afirma isso numa entrevista: “poeta que tenha criatividade como o Patativa tem, são poucos, viu? É raro”. De fato, ele sempre soube de sua habilidade em fazer poesia e sempre teve intenção de divulgar e transmitir para a posteridade. Durante toda sua vida, o poeta empenhou-se para manter-se fiel a seus princípios e a sua missão poética. No Memorial Patativa do Assaré, espécie de museu vivo em sua cidade natal, há uma quadrinha onde o próprio poeta resume como gostaria de ser visto:
“Conheço que estou no fim
e sei que a terra me come,
mas fica vivo o meu nome
para os que gostam de mim.
Chegando o dia afinal
baixarei a sepultura
mas fica o Memorial
para quem preza a cultura.
Patativa do Assaré faleceu aos 93 anos, em 8 de julho de 2002. Contudo, sua memória continua viva no Memorial Patativa do Assaré, na sua cidade natal, Assaré, sul do Ceará. Sua obra tem sido estudada por pesquisadores, professores, fruída nas universidades e fora dela. Também tem sido objeto de estudo de mestre e doutores.
Obras do Autor:
Inspiração Nordestina (1956); Inspiração Nordestina: Cantos do Patativa (1967); Cante Lá que Eu Canto Cá (1978); Ispinho e Fulô (1988); Balceiro - Patativa e Outros Poetas de Assaré (1991); Cordéis (1993); Aqui Tem Coisa (1994); Biblioteca de Cordel: Patativa do Assaré (2000); Balceiro 2 - Patativa e Outros Poetas de Assaré (2001); Ao pé da mesa (2001).
Alguns poemas famosos de Patativa do Assaré
A Triste Partida
Cante Lá que eu Canto Cá
Coisas do Rio de Janeiro
Meu Protesto
Mote/Glosas
Peixe
O Poeta da Roça
Apelo dum Agricultor
Se Existe Inferno
Vaca estrela e Boi Fubá
Você e Lembra?
Vou Vorá

Bibliografia
FEITOSA, Luiz Tadeu. Patativa do Assaré – a trajetória de um canto. São Paulo, Escrituras Editora, 2003.
Terça, 30 Junho 2009 19:32

Confiança

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Confiança e atividade da indústria apresentam alta
O Índice de Confiança da Indústria subiu 4,8% em junho ante maio, segundo a Fundação Getúlio Vargas. É o maior desde outubro do ano passado. A atividade industrial paulista também apresentou dado positivo. Segundo a Fiesp, o indicador subiu 0,9% em maio frente a abril. Os dados dos últimos 12 meses, no entanto, apontam queda de 4,4%.
Terça, 30 Junho 2009 19:28

Urca 2009.1 Florbela Espanca

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Florbela Espanca, a alma em expansão
Florbela Espanca foi uma poeta de extraordinária sensibilidade, nascida em 1894 em Vila Viçosa, Portugal. Desde criança fazia versos originados de uma necessidade interior, que segundo os críticos, mesmo com erros de ortografia eram avançados em relação à sua idade. É o processo de criação para atender às pressões do inconsciente e que levaram Florbela a uma permanente angústia de nunca conseguir expressar-se na proporção em que a força erótica de sua alma oculta o exigia. Como diz seu critico José Régio, em estudo de 1952: “... Nem o Deus que viesse amá-la, sendo um Deus, lograria satisfazer a sua ansiedade...
Sempre suas manifestações poéticas estavam aquém da necessidade desse outro ser, um inconsciente imaginativo a impulsionar os sentimentos desde dentro. Mas ela avançava sem preocupar-se muito com a poesia que circulava nos meios literários a seu redor. As revistas e movimentos como “Orfeu”, “Presença”, e outros, nada significavam de muito importante para ela e nisso o próprio modernismo passou desapercebido em sua obra. Florbela poetava por uma necessidade intrínseca e seu estilo não se detinha em acompanhar escolas e modas da época.
Era, portanto, um vulcão de paixões inexplicáveis com fortes elementos do inconsciente coletivo, aflorando, além da expressão de sua alma traduzida pela metáfora do feminino, que no caso de Florbela era um fato plasmado através do narcisismo, utilizando-se para tanto de sua própria imagem. Resulta interessante notar essas sinalizações destacadas por José Régio: “... viveu a fundo esses estados quer de depressão, quer de exaltação, quer de concentração em si mesma, quer de dispersão em tudo, que na sua poesia atingem tão vibrante expressão...” Mais adiante em relação ao feminino “... Também de certo aparecem na nossa poesia autenticas poetisas, antes e depois de Florbela. Nenhuma, porém até hoje, viveu tão a sério um caso tão excepcional, e, ao mesmo tempo, tão significativamente humano... tão expressivamente feminino...”
Ainda o próprio autor do estudo nos revela, nesta significativa citação, como aflorava o inconsciente coletivo veiculado por sua poesia. Vejamos:
“... mais tarde se revelará na sua poesia, como uma verdadeira intuição obsessiva e não o capricho literário que também é, o pós-sentimento de ter vivido em outros mundos, em outras vidas, em outros países: de ter sido não só quaisquer das figuras romanescas sonhadas pela fantasia dos poetas ou vitralizadas pela história e a lenda - princesas, infanta, monja - mas ainda árvore, flor, pedra, terra; senão nuvem, som, luz...”

Na penumbra do pórtico encantado
De Bugres, noutras eras, já vivi;
Vi os templos do Egito com Loti;
Lancei flores na Índia ao rio sagrado.
 
Mas José Régio, na mesma analise sobre Florbela, dá uma escorregada ao querer interpretar seu narcisismo como contradição de personalidade da poeta em relação à procura ou exaltação do seu amor. Utilizando certa forma pejorativa, mal percebe, esse crítico, o impressionante processo de expressão espontânea do feminino inspirador, que a poeta mulher faz surgir por imagens mal compreendidas quando conceituadas como narcisismo. Indo da incompreensão à censura, vejamos o que nos fala Régio a respeito:
“… Todavia não creio que em tais sonetos se exprima o singular de Florbela. Embora fazendo sonetos de amor até ao fim, e não obstante a feminilidade que já vimos dar tom ao seu narcisismo, lembremo-nos, continuemos a lembrar-nos que Florbela gosta demasiado de si mesma, comprazendo-se em cantar “os leves arabescos” do seu corpo, a sua “pele de âmbar” os seus “olhos garços”, sobretudo as suas mãos que tanto veste de imagens. Pormenor impressionante: O que em si própria mais parece agradar-lhe – as mãos e os olhos – é o que também mais canta no amante amado. Dir-se-ia que ainda nele se espelha e se procura. E sem dúvida poderemos pensar que, em vários de seus sonetos considerados de amor, ela é que é o verdadeiro motivo; e o pretenso amado um pretexto. Ora, narcisismo e egolatria não parecem que sejam muito favoráveis ao dom de amar. ”
Isto significa não entender que a verdadeira poesia e a procura de um algo muito poético sejam uma coisa só, e que a alma procura sentidos para encontrar-se quase sempre em contatos que lhe despertem a sensibilidade por intermédio do amor, pois é esse amor a energia erótica, através de uma intensa fabricação de libido, de dentro, que Florbela precisa desprender e captar ao mesmo tempo na consciência, para produzir sua obra. Seria uma pequena ilusão encontrá-la de forma permanente no sexo oposto, mas a incitação à possibilidade inicial da paixão leva a poeta a procurá-la nos homens, desiludindo-se, nos três casamentos desfeitos em apenas 15 anos. Sem esquecer que existe a necessidade de criar o pólo oposto para estabelecer a tensão necessária à criação, pois a energia nasce da relação dinâmica entres esses opostos.
Compreende-se o anúncio insistente da procura, e também as formas sinceras de imaginar tal encontro como formas de amor, ou na imagem do seu feminino, ou nas tentativas de ternura, inclusive em relação ao seu amado irmão. E isso é a poesia de Florbela, anunciação da insatisfação por não encontrar-se. No soneto seguinte podemos apreciar essa poesia:
 
EU
Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por que...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
 
Florbela Espanca, em vida, conseguiu editar o Livro de Mágoas (1919) e o Livro de Sóror Saudade (1923), deixando inéditos Charneca em Flor e Relíquia, por não ter encontrado editor. As críticas em geral não acertaram esse compasso espiritual de Florbela, quando a analisam “... desligada de preocupações de conteúdo humanista ou social. Inserida em seu mundo pequeno burguês... (observação citada por Rolando Galvão). Uma analise insensível, por não levar em conta o mergulho da poeta na criação individual, pois, dessa forma conseguiria sua profunda inserção na comunidade, como de fato veio acontecer posteriormente. Florbela fez sua poesia em sonetos, pouco se preocupando com o estilo modernista, como já dissemos, porque a essência de seu fluxo poético encaixou-se melhor nessa forma (e, por acaso, não seria igualmente essa forma de cadência, ritmo e melodia a indicada por seu ativo imaginário do inconsciente?). Mesmo, nessa técnica escolhida, despreocupou-se com a formalidade do verso; precisava dizer urgentemente ao mundo o que borbulhava dentro dela.
No EU que transcrevemos na integra, vemos a alma que se derrama num caudal fazendo-a sofrer dolorosamente... por ser irmã do sonho... é sacrificada e dolorida. Ao não conseguir encontrar a expressão adequada no consciente das realidades de sua vida, o “... destino amargo, triste e forte a impele brutalmente para a morte...”, isto é, busca essa alma, supostamente verdadeira, fora do mundo real dos fatos objetivos, e dentro do sonho, o único que a poeta mais conhece e vive. Na sua realidade das coisas, sua figura não é vista e nem compreendida (chamam-me triste sem o ser). E ela própria não consegue identificar o porquê disso. No caso dela é um sofrimento real e não apenas um fingimento poético, com a conseqüente representação artística.
Esse sofrimento real leva à tragédia real, que mais tarde se apresentará no suicídio aos 36 anos. Se fosse fingido, o sofrimento desembocaria em arte representativa, tragédia que se realiza na obra estética do drama, através do símbolo. Florbela é poesia bruta, pura, como a explosão dos astros, e é por isso também extremamente vidente, ao perceber, desde seu mundo oculto um Alguém articulador (que vem de algum lugar obscuro?), manejando os mecanismos de seu emergir espontâneo. Alguém a provocar-lhe sede, mas que não lhe dá água de beber “... Alguém que veio ao mundo pra me ver e que nunca na vida me encontrou.”, visão extraordinária do inconsciente vivo, onde ela dialoga com o símbolo difuso, diríamos.
E notemos como tenta, antecipadamente, prever a cristalização desse encontro, um ir além do metafísico, num dos últimos sonetos de sua vida:
 
DEIXAI ENTRAR A MORTE
Deixai entrar a morte, a iluminada,
A que vem para mim, pra me levar,
Abri todas as portas par em par
Como asas a bater em revoada.

Que sou eu neste mundo? A deserdada,
A que prendeu nas mãos todo o luar,
A vida inteira, o sonho, a terra, o mar,
E que, ao abri-las não encontrou nada!

Ó Mãe! Ó minha Mãe, pra que nasceste?
Entre agonias e em dores tamanhas
Pra que foi, dize lá, que me trouxeste

Dentro de ti?...pra que eu tivesse sido
Somente o fruto das entranhas
Dum lírio que em má hora foi nascido!...
 
Mas antes dessa ida, Florbela tentou experimentar “... prender nas mãos todo o luar...”. E procurou-o no amor aos homens, mas achou o sexo brutal; ali não estava o luar, o erotismo em que procurava comover-se. Esse pólo extremo sempre existiria, com o intuito de provocar energia, mas todo pólo que predomina sobre o outro desequilibra o processo de criação. Florbela sempre que cedia à tentação de optar por um dos lados, estagnava o processo vital da criação de libido.
 
AMAR
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... Além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar!Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem dizer que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela vivia à procura de sua alma interior, na beleza imaginada de seu feminino e na vivência de sua paixão interior; seu amor, que não se realizaria com os homens.  
Procurei o amor, que me mentiu,
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu. (Inconstância)
....................................................
 
Quando se defrontava com o feminino de sua alma achava-se de uma beleza indescritível, não cabia dentro de sua própria formosura.
 
Eu tenho, Amor, a cinta esbelta e fina...
Pele doirada de alabastro antigo...
Frágeis mãos de madona florentina...
- Vamos correr e rir por entre o trigo – (Passeio no Campo)
 
Mas ao defrontar-se com a realidade, quase desconhecida e a ela desacostumada, exagerava em dizer que seu corpo era feio diante do espelho. Mesmo que não o fosse, a visão não correspondia a seu estado de sonho, cujo conceito do belo estava além da realidade.
 
Até agora eu não me conhecia.
Julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu não era Eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, não o dissera
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim e não me via! (EU II)
..........................................................
 
E ao final Florbela, frente ao dilema de ser ou não ser, terminava correndo para o refúgio da própria poesia, seu ser transcendente, que corresponderia à unidade desses dois contrários: o símbolo permanente de sua possível salvação.
 
SER POETA
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede do Infinito!
Por elmo, as manhãs de ouro e de cetim
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te assim perdidamente
E seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente.
 
O sofrimento vinha dessa incompatibilidade entre o corpo real e o corpo da alma. Florbela precisaria de um meio termo, não como média, mas como síntese simbólica ou filosófica. Talvez a filosofia oriental fosse-lhe propícia naquele momento de domínio da incompreensão total, exercida sobre ela até pela cultura circundante. Pois, o meio em que se locomovia era fruto das máscaras do valor aparente, das conquistas violentas, da supervalorização física, a nostalgia dos feitos colonizadores, que em Portugal (sem excluir outros países colonialistas) oprimia a alma de seus poetas profundos (veja-se Fernando Pessoa, morto por alcoolismo, ou mesmo Sá Carneiro, levado ao suicídio)
Em outra cultura mais espiritual, Florbela, provavelmente teria sobrevivido, conseguindo que sua psique encontrasse parcerias externas, na condução de seu erotismo ao caminho da harmonia, ou o equilíbrio entre a alma insaciável e o corpo real, encaixando-se conteúdo e forma, em sua vida como na poesia, misturando a imaginação com a vida real.
Desse País inexplicável, Florbela, consegue chegar a ponto de perceber o quanto a indecifrável e frustrada história “da pátria” se mistura com os enigmas de sua alma, que a levarão a sucumbir por não suportar mais esse desejo insaciável e desconhecido, não consumado. Vejamos no poema:
 
NOSTALGIA
Nesse País de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que pelas aias reparti
Como outras rosas da Rainha Santa!

Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi...
Mostrem-me esse País em que eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou infanta!

Ó meu País de sonho e de ansiedade,
Não sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!

Quero voltar! Não sei por onde vim...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!
 
A poeta, ao refletir sobre essa trajetória, percebe seu sonho misturado a um vago sonho coletivo, que para ela foi “... um sonho alado erguido em horas de demência...”. Não há realidade palpável, onde possa firmar-se; não vem o Desejado e nem o Infante, duas figuras; a do seu desejo e a do desejo da imaginação da coletividade (através de uma máscara coletiva de feitos e heróis). Aquilo que seria o transcendente - sua própria poesia - já não encontrava meios psíquicos de fazê-la viver, porque ela própria já não possuía mais recursos para sustentar-se na vida das imagens. Assim diz:
 
SONHO VAGO:
Um sonho alado que nasceu um instante,
Erguido ao alto em horas de demência
Gotas de água que tombem em cadencia
Na minha alma, tristíssima, distante...

Onde está ele o Desejado? O Infante?
O que há de vir e amar-me em doida ardência?
O das horas de mágoa e penitencia?
O Príncipe Encantado? O Eleito? O Amante?

E neste sonho eu já nem sei quem sou
O brando marulhar de um longo beijo
Que não chegou a dar-se e que passou...

Um fogo-fátuo rútilo, talvez...
E eu ando a procurar-te e já te vejo!
E tu já me encontras-te e não me vês!
Terça, 30 Junho 2009 19:26

O que não fazer na Dissertação

Escrito por
01. JAMAIS USE GÍRIAS EM SUA DISSERTAÇÃO. As gírias são um meio de expressão perfeitamente aceitável em certos momentos de textos narrativos, em especial nos diálogos travados por alguns personagens. Tornam-se, entretanto, completamente inadequadas quando usadas em uma dissertação. Esta modalidade de redação pressupõe uma linguagem formal, não necessariamente erudita, mas pelo menos bem elaborada. Mais do que palavras, um exemplo pode ilustrar com maior clareza os danos causados pela gíria em uma dissertação. Leia este trecho dissertativo:

Todo mundo sabe da gravidade que tem, hoje em dia, o problema das drogas na nossa sociedade. Muita gente e até a polícia tentam fazer alguma para acabar com as drogas, mas muitos caras, a maioria gente da pesada, se negam a deixar de curtir seu baratinho, não dando a mínima para os meganhas que seu encalço.

02. NÃO UTILIZE PROVÉRBIOS OU DITOS POPULARES. Uma dissertação costuma ser prejudicada pela má utilização de frases feitas, provérbios e ditos populares. Eles empobrecem a redação; fazem parecer que seu autor não tem criatividade, pois lança mão de formas de expressão já batidas pelo uso freqüente. Veja que efeito prejudicial causaria um provérbio em um texto dissertativo:

O problema da violência é algo do qual não podemos mais fugir. Por décadas sucessivas, assistimos ao abandono de um número incontável de menores carentes. Grande parte destas crianças, condenadas à marginalidade, tornaram-se bandidos perigosos.
Hoje, é muito comum o fato de alguns menores, perambulando pelas ruas por falta de escolas ou um lugar melhor para ficar, serem influenciados por estes pequenos delinquentes, aos quais acabam se unindo para praticarem delitos. Afinal, já dizia meu avô: “Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és”.

03. NUNCA SE INCLUA EM SUA DISSERTAÇÃO
(principalmente para contar fatos de sua vida particular). Dissertar é analisar um assunto proposto, emitindo opiniões gerais. Deve ser feito de modo impessoal e com total objetividade. Essa visão imparcial se perde quando o autor confunde a problemática que está analisando com os problemas particulares que possa ter. Note o que pode acontecer:

Todos nós, apreensivos, observamos que o mundo moderno caminha para o caos. Vemos que a confusão, o desentendimento entre habitantes metropolitanos, os conflitos entre as nações e a ameaça de uma guerra atômica podem perfeitamente levar o homem à sua própria destruição. Eu vejo por mim mesma. Mal tenho tempo de dormir. Levanto de madrugada para pegar aqueles ônibus super-lotados. Trabalho o dia inteiro e quase não tenho tempo de estudar as matérias para as provas do meu colégio noturno. Além de tudo isso, meu patrão não me autoriza a ir ao médico, quando necessito.

OBSERVAÇÃO:
Você pode se posicionar sobre determinados temas, mas deve evitar a forma individualizada de fazê-lo, como ocorre no exemplo acima.

04. NÃO UTILIZE SUA DISSERTAÇÃO PARA PROPAGAR DOUTRINAS RELIGIOSAS. A religião, qualquer que seja ela, é uma questão de fé; a dissertação, por sua vez, é uma questão de argumentação, a qual se baseia na lógica. São, portanto, duas áreas situadas em diferentes planos. Não há como argumentar de modo convincente com base em dogmas religiosos; os preceitos da fé independem de provas ou evidências constatáveis. Torna-se, assim, completamente descabido fundamentar qualquer tema dissertativo em idéias que se situem em um plano que transcende a razão. Veja o inconveniente desse procedimento, através deste exemplo:

Nas últimas décadas, o mundo tem assistido, com muita apreensão, a conflitos localizados que emergem em diferentes pontos geográficos. Muitos temem que estas guerras, embora restritas a determinadas regiões, acabem por envolver as duas grandes potências, desencadeando uma guerra de caráter mundial.
Para combater esta contínua ameaça, só há uma solução: Jesus Cristo. O homem precisa lembrar que Deus mandou seu único filho a fim de mor¬rer na cruz para nos salvar. Ele derramou Seu sangue por nós, para livrar a humanidade de seus pecados. Só com Jesus poderemos sobreviver, pois Ele é nosso mestre e Senhor.

05. JAMAIS ANALISE OS TEMAS PROPOSTOS MOVIDO POR EMOÇÕES EXAGERADAS. Existem, sem dúvida, alguns temas dissertativos que envolvem a aná¬lise de assuntos dramáticos, os quais comumente causam revolta e indignação pela própria gravidade de sua natureza. Porém, por mais revoltante que se mostre o assunto tratado, ele deve ser abordado, em uma dissertação, de modo, se não imparcial, pelo menos comedido. Em outras palavras, não devemos deixar nossas emoções interferirem demasiadamente na análise equilibrada e objetiva que precisa transparecer em nossas dissertações, mesmo porque elas impedem que ponderemos outros ângulos da questão. Só assim, com a predominância da argumentação lógica, ela se mostrará convincente. Veja como a interferência do aspecto emocional pode prejudicar a elaboração deste modo:

Hoje, associam-se inúmeros fatores que intranquilizam a população das grandes cidades. A superlotação dos presídios, a ineficiência das entidades ligadas ao menor delinquente e os recursos limitados das forças policiais criam as condições favoráveis para a proliferação da criminalidade.
Os noticiários apresentam-nos todos os dias crimes bárbaros cometidos por verdadeiros animais, que deveriam ser exterminados, um a um, pela sua perversidade sem fim.
Estas criaturas monstruosas atacam, nas ruas escuras da periferia, pobres mulheres indefesas e as matam, impiedosamente. Amaldiçoados criminosos, andam por aí disseminando a podridão de suas almas, que hão de arder para sempre no fogo do inferno.
Pessoas como essas, que assassinam inocentes criancinhas, deveriam ser postas em cadeiras elétricas, o mais rápido possível. Morte aos monstros do crime!

06. NÃO UTILIZE EXEMPLOS CONTANDO FATOS OCORRIDOS COM TERCEIROS, QUE NÃO SEJAM DE DOMÍNIO PÚBLICO. É um procedimento perfeita¬mente normal lançarmos mão de exemplos que reforcem os fatos arrolados em uma dissertação. Entretanto, estes exemplos devem ser de conhecimento público, ou seja, fatos que todos conheçam por terem sido divulgados pelos meios de comunicação (jornais, rádio, televisão, etc.).
Não devemos, em hipótese alguma, introduzir na dissertação fatos ocorridos com pessoas que conhecemos particularmente. Isso daria um cunho pessoal a um tipo de redação que se propõe a analisar assuntos gerais. Veja um exemplo deste tipo de incorreção:

A prospecção de petróleo em plataformas marítimas em muito tem contribuído para o sucesso da Petrobras no cumprimento dos contratos de risco que assinou com vários países. Aqui mesmo nas costas brasileiras testemunhamos a construção e funcionamento destas plataformas que, em sua maioria, contribuem para aumentar as nossas reservas petrolíferas.
O filho de minha vizinha, Dona Laura, trabalhava em uma dessas plataformas. Ela levou um susto incrível quando houve um acidente há pouco tempo atrás. Seu filho sofreu algumas queimaduras e foi internado às pressas em estado grave. Dona Laura ficou a seu lado o tempo todo e felizmente ele sobreviveu ao terrível incêndio que praticamente destruiu aquele local e causou prejuízos enormes.

07. EVITE AS ABREVIAÇÕES. Procure escrever as palavras por extenso. As abre-viações são consideradas incorretas. Você não deve escrever frases como estas:

O ministro c/ seus assessores saíram da sala de reunião.
Verificaremos outros pontos da questão p/ compreendermos melhor esse assunto.
Os cidadãos daquele país tb se preocupam com a redemocratização.

08. NUNCA REPITA VÁRIAS VEZES A MESMA PALAVRA. Um dos erros que mais prejudica a expressão adequada de suas idéias é a insistente repetição de uma mesma palavra. Isso causa uma impressão desagradável a quem lê sua redação, além de sugerir pobreza de vocabulário. Quando você constatar que repetiu várias vezes o mesmo vocábulo, procure imediatamente encontrar sinônimos que possam ser usados em substituição a ele. Observe um exemplo:

Os empresários têm encontrado certos problemas para contratar mão-de-obra especializada, nesses últimos meses. O problema da mão-de-obra é conseqüência de um problema maior: os altos níveis de desemprego constatados algum tempo atrás. Enfrentando problemas para conseguir em-pregos nas fábricas a que estavam acostumados, dedicaram-se a outras atividades, criando, para as Indústrias, o problema de não encontrar pessoas acostumadas a funções especificas. Demorará ainda algum tempo para que este problema seja solucionado.

09. PROCURE NÃO INOVAR, POR SUA CONTA, O ALFABETO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Evidentemente, certas caligrafias apresentam algumas variações no modo de escrever determinadas letras do nosso alfabeto. No entanto, essa possível variação não deve ser exagerada a ponto de tornar a letra praticamente irreconhecível.

10. TENTE NÃO ANALISAR OS ASSUNTOS PROPOSTOS SOB APENAS UM DOS ÂNGULOS DA QUESTÃO. Uma boa análise pressupõe um exame equilibrado da realidade na qual se situa o assunto tratado em uma dissertação. O bom senso, nas opiniões emitidas, está diretamente relacionado à capacidade de se enxergar o problema pelos diversos ângulos que apresenta. Uma análise extremamente radical ignora outros aspectos que devem ser levados em conta em uma reflexão equilibrada sobre qualquer tema, por isso é indesejável. Note, neste trecho, como isso ocorre:

O advento da televisão nas últimas três décadas foi, com certeza, o golpe mortal desferido na inteligência e na cultura dos milhões de telespectadores que dela se utilizam e que a ela estão inconscientemente aprisionados. É a televisão a grande responsável pelo processo de massificação a que se submetem principalmente as novas gerações. Afastadas dos livros e das formas mais eruditas da música e de outras artes, têm diante dos olhos o desenrolar de programas medíocres que promovem, indiscutivelmente, a desinformação.
Isso sem contar com as distorções de comportamento provocadas principalmente nas crianças que assistem, impassíveis, aos desenhos que primam pela violência, destruição e insensibilidade.
Este veículo de comunicação é, sem dúvida, o mal do nosso século: destrói o espírito crítico e promove a alienação em todos os níveis.

11. NÃO FUJA AO TEMA PROPOSTO. Quando você receber um tema para dissertar sobre ele, leia-o com atenção e escreva sobre o que se pede. Jamais fuja do assunto solicitado, mesmo que seus conhecimentos sobre ele sejam mínimos. Costuma-se atribuir nota zero (ou um pouco mais) a uma redação sobre outro assunto não aquele pedido. Não é difícil entendermos o quanto seria absurdo alguém seriar sobre os acidentes ocorridos em usinas nucleares em várias partes do mundo quando o tema pedido fosse o problema dos menores abandonados no Brasil. Para evitar esse tipo de inconveniência, antes de começar a elaborar a redação convém ler várias vezes o tema para compreender exatamente o que está se solicitado.
Às vezes comete-se um outro engano semelhante ao que foi comentado acima: de acontecer de se desenvolver um tema similar àquele que foi proposto. Isso também prejudica demais a redação, pois mostra que a pessoa não apresenta capacidade de ler e interpretar corretamente a solicitação feita. Suponhamos que o tema fosse o seguinte:

O governo brasileiro vem empreendendo esforços para, juntamente com o governo da República Argentina, criar acordos de cooperação econômica, lançando as bases para a possível formação de um mercado comum sul-americano.

Caso não compreendesse bem o conteúdo dessas afirmações, a pessoa poderia incorrer no erro de dissertar sobre algum assunto paralelo. Por exemplo, escreveria sobre como essas duas nações conseguiram retomar os rumos da democratização, depois de longos períodos de ditadura militar. Embora esta análise esteja relacionada com o tema dado, não aborda propriamente o assunto central proposta ou seja, os acordos de cooperação econômica.

ATENÇÃO!
Até agora, mostramos o que você não deve fazer em sua dissertação. Terminaremos este assunto com uma recomendação importantíssima sobre o que deve ser feito:

Utilize sempre a 1ª pessoa do plural em vez da 1ª pessoa do singular em suas dissertações. Em outras palavras, você deve escrever “acreditamos”, “entendemos”, “analisamos”, e não “acredito”, “entendo”, “Analiso”. Saiba que, embora possa parecer um tanto estranho, este é o procedimento habitual quando se redige uma dissertação. Para que você entenda melhor, daremos um exemplo transcrevendo a Conclusão de uma composição, inicialmente na 1ª pessoa do singular e, depois, na 1ª pessoa do plural:

Em vista do que foi observado, verifico a existência de um nítido contraste entre estas duas regiões brasileiras. Espero, como cidadão sensível a essa problemática, que não sejam poupados esforços para levar a todos os brasileiros condições dignas de subsistência.

Em vista do que foi observado, verificamos a existência de um nítido contraste entre estas duas regiões brasileiras. Esperamos, como cidadãos sensíveis a essa problemática, que não sejam poupados esforços para levar a todos os brasileiros condições dignas de subsistência.

Leia com atenção os dois parágrafos conclusivos e observe o diferente efeito causado pelo uso de uma ou de outra pessoa do discurso. Parece-nos indiscutível o fato de a 1ª pessoa do plural imprimir à redação um cunho impessoal, além de elevar o nível da linguagem. Ademais, é a forma convencionalmente usada nas dissertações em geral.
Para finalizar nossas considerações sobre a dissertação, convém dar uma última sugestão: procure sempre se manter informado sobre os mais diversos assuntos. Quanto melhor você conseguir compreender as questões econômicas, políticas e sociais de seu país e do exterior, maiores condições terá de redigir sobre qualquer tema.
Não perca oportunidades de conversar com pessoas que conheçam determinado as-sunto, na tentativa de aprender algo com elas. Ler jornais e revistas, assistir a programas de telejornalismo, ouvir entrevistas pelas emissoras de rádio também parece-nos muito importante.
Somando o que você puder aprender através destes procedimentos às informações que lhe são transmitidas durante as aulas, você certamente ampliará cada vez mais sua cultura geral.

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Sobre o Autor

  • José Roberto Duarte, iguatuense, professor do ensino básico, formado em Letras pela Universidade Estadual do…

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