Sexta, 26 Junho 2009 22:45

Infarto x Parada cardíaca

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Diferença entre infarto e parada cardíaca
Pacientes infartados com 50 anos ou menos, atendidos nos últimos dez anos, no Incor (Instituto do Coração), representam 14% dos atendimentos. O coração funciona como uma bomba de ejeção de sangue para todo o corpo humano. Quando se contrai, distribui sangue pelas artérias; e quando se dilata, traz o sangue de volta para dentro dele, pelas veias. A parada cardíaca ocorre quando o coração para de funcionar. Nessa condição, ele deixa de exercer a função de bomba, inviabilizando a circulação do sangue pelo organismo. De acordo com o cardiologista e diretor da Unidade Clínica de Coronariopatias Agudas do Incor HC/FMUSP, doutor José Carlos Nicolau, o infarto é a causa mais comum de parada cardíaca na população. “Além de fazer com que o sangue circule pelo corpo, o coração também precisa de sangue para o próprio funcionamento. Quando há obstrução de um vaso que alimenta o órgão, a região relacionada a esse vaso pode vir a morrer. Isso é o infarto do miocárdio (do coração)”, explica, acrescentando que o infarto tem tamanho e repercussão variáveis, dependendo do vaso que tiver sido obstruído. De 3.439 infartados, atendidos no Incor nos últimos dez anos, 479 tinham 50 anos ou menos. O especialista lembra que, quando há uma parada cardíaca, é fundamental que haja atendimento rápido. “Em alguns casos, é possível reverter o quadro. Quando o atendimento é feito prontamente, diminuem-se os riscos de lesão cerebral”, informa. Além do infarto, há outras diversas causas que podem levar à parada cardíaca, como insuficiência cardíaca em fase terminal, embolia pulmonar, arritmia cardíaca congênita, entre outras.
Sexta, 26 Junho 2009 13:36

Enem sem 'chute'

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Quem chutar no Enem terá pontuação menor, adverte Ministério da Educação
RICARDO GALLO, da Folha de S.Paulo
O Ministério da Educação adverte: não adianta chutar no Enem. Será possível identificar, com base no padrão das respostas de cada candidato, quem acertou aleatoriamente uma determinada questão.
Mais: no cálculo da nota, o peso atribuído ao acerto do "chutador" será inferior ao dos que responderam de modo correto por dominar o tema.
O sistema antichute é uma das características da TRI (Teoria de Resposta ao Item), adotada no novo Enem. Criado para substituir o vestibular nas universidades federais, o exame ocorre em 3 e 4 de outubro.
Com a TRI, as perguntas são “inteligentes” - sabe-se o perfil de quem acerta com maior probabilidade as mais fáceis, as intermediárias e as difíceis.
Isso ocorre graças a um banco com milhares de respostas de alunos que atualmente testam as questões do Enem. Além de estabelecer padrões de resposta, o teste também seleciona quais serão as 180 questões que comporão o Enem.
Participam dessa etapa estudantes do segundo ano do ensino médio e universitários primeiranistas. Os alunos do terceiro ano do ensino médio, público-alvo do Enem, ficaram de fora - para não terem acesso a uma pergunta que possam encontrar no exame.
É o padrão das milhares de respostas que revela o chute. Estatisticamente, quem erra questões mais fáceis não acerta as difíceis. Do mesmo modo, os que acertam as mais complexas não erram nas simples.
“É assim que a TRI permite identificar prováveis chutes na hora de calcular a nota do estudante”, diz Heliton Tavares, diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep (órgão do MEC responsável pelo Enem).

O segredo: coerência
Com um mecanismo que detecta respostas fora do padrão, qual o segredo para ir bem em uma prova como a do Enem? Ter um índice de acertos equilibrado e "coerente", diz Tadeu da Ponte, coordenador do vestibular do Insper (ex-Ibmec-SP). A instituição adotou pela primeira vez a TRI no vestibular de 31 de maio. A vantagem, segundo ele: maior precisão para escolher candidatos --e um vestibular com um número menor de perguntas.

Acertos
Também em razão da TRI, a prova do Enem não será avaliada pelo percentual de acertos, como em um vestibular convencional. Embora também leve em conta quem acerta mais, o exame atribui um peso a cada pergunta ou grupo delas --assim, responder de modo correto oito em dez questões não representa 80% na nota final.
Tavares usa o esporte para comparar os dois mecanismos: o vestibular clássico é o futebol, em que fazer gol vale um; o Enem, o basquete --em que é possível, a depender da distância, fazer dois ou três pontos.
O resultado será específico para cada tema (português, matemática, ciências da natureza e ciências humanas). Não haverá nota, mas sim uma pontuação que, em uma escala, definirá o grau de habilidades e conhecimentos do aluno. O mais provável é que a escala vá de 100 a 500 pontos, diz o Inep.
Sobre a divisão de questões, diz o diretor do Inep, é provável que o exame tenha 25% de fáceis, 50% de intermediárias e 25% de difíceis.
Há necessidade de perguntas mais simples porque o Enem não será usado apenas como vestibular das federais. Servirá também para avaliar o conhecimento dos alunos que deixam o ensino médio, para aqueles que fizeram o antigo supletivo e para quem quer entrar no ProUni -programa que dá bolsas para alunos de baixa renda em universidades particulares.
Sexta, 26 Junho 2009 13:16

Morte na USP

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Justiça condena ex-aluno da USP a 18 anos de prisão por morte de colega
A Justiça de São Paulo condenou nesta quinta-feira a 18 anos de prisão o ex-estudante de jornalismo Fábio Le Senechal Nanni, acusado de esfaquear e matar o colega Rafael Azevedo Fortes Alves, de 21 anos, dentro da USP (Universidade de São Paulo).
O crime aconteceu em outubro de 2005. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Nanni foi condenado pelo crime de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Em sua sentença, o juiz ressaltou o fato de o ex-estudante a vítima serem amigos: “A conduta é reveladora de dolo intenso, de desrespeito à vítima, pessoa jovem e de futuro promissor como revela o conteúdo da prova”. O crime aconteceu no dia 14 de outubro de 2005, na Rádio USP, onde Alves trabalhava como estagiário. Nanni entrou na rádio e conversou com a vítima por alguns minutos. Em seguida, sacou uma faca e golpeou o colega. Os dois, que moravam na mesma república de estudantes e cursavam o segundo ano de jornalismo, haviam discutido na noite anterior ao crime. Segundo relatos de amigos, a discussão teria se iniciado porque Nanni insistia em conversar com o amigo.
O Ano da Morte de Ricardo Reis - José Saramago

Neste magnífico romance, o heterônimo mais clássico do grande poeta português Fernando Pessoa, o horaciano Ricardo Reis, acha-se novamente em Lisboa, depois de uma temporada no Brasil, onde se auto-exilara. O ano é o de 1936. Médico, educado pelos jesuítas e monarquistas, ele é um sábio capaz de se contentar em assistir ao espetáculo do mundo, como diz numa das epígrafes do livro. Aqui, porém, ele se vê confrontado com os acontecimentos de 1936, em Portugal e fora dele; de um lado, a ditadura fascista de Salazar; de outro, a gestação da Segunda Guerra Mundial, a Frente Popular francesa, a Guerra Civil espanhola, a expansão nazista na Europa. Um confronto, enfim, com um mundo que decerto não era um espetáculo.

Ricardo Reis é uma criação de Fernando Pessoa. Mais propriamente, é um dos seus heterônimos. Talvez deva esclarecer que Fernando Pessoa teve uma obra multifacetada, que intencionalmente dividiu em 4 conjuntos, criando um heterônimo para assumir cada uma das diferentes facetas do seu trabalho. Eu, pessoalmente, prefiro os poemas que assinou com o próprio nome.

José Saramago ousou dar corpo a um desses personagens de ficção. Cria-lhe uma vida e fá-lo interagir com Fernando Pessoa (morto).

Esta ligação dura aproximadamente nove meses. Saramago leva-nos através de uma ideia inovadora. Demoramos nove meses para chegar ao mundo, e demoramos o mesmo tempo a deixá-lo. É um processo de transição, durante o qual o morto vai esquecendo o que foi estar vivo, os caminhos percorridos, os sentimentos vividos. Descobre que nada importa. Nada do que vivemos importa. Chegado ao fim desse tempo, o morto está pronto para partir.
No momento em que Pessoa vai despedir-se de Ricardo Reis, porque chegou a sua hora de deixar definitivamente o mundo, recebe uma resposta inesperada: “Vou consigo”. É um fim brilhante, para a história.

Que bom seria se para cada um de nós, a morte se tornasse efetiva no instante da nossa escolha. Algo como, simplesmente, desligar-se da vida.

O tema morte aparece muitas vezes na obra de Saramago. Recomenda-se a leitura de “As Intermitências da Morte”.

Neste magnífico romance, o heterônimo mais clássico do grande poeta português Fernando Pessoa, o horaciano Ricardo Reis, acha-se novamente em Lisboa, depois de uma temporada no Brasil, onde se auto-exilara. O ano é o de 1936. Médico, educado pelos jesuítas e monarquistas, ele é um sábio capaz de se contentar em assistir ao espetáculo do mundo, como diz numa das epígrafes do livro. Aqui, porém, ele se vê confrontado com os acontecimentos de 1936, em Portugal e fora dele; de um lado, a ditadura fascista de Salazar; de outro, a gestação da Segunda Guerra Mundial, a Frente Popular francesa, a Guerra Civil espanhola, a expansão nazista na Europa. Um confronto, enfim, com um mundo que decerto não era um espetáculo.

O Ano da Morte de Ricardo Reis - José Saramago
Neste magnífico romance, o heterônimo mais clássico do grande poeta português Fernando Pessoa, o horaciano Ricardo Reis, acha-se novamente em Lisboa, depois de uma temporada no Brasil, onde se auto-exilara. O ano é o de 1936. Médico, educado pelos jesuítas e monarquistas, ele é um sábio capaz de se contentar em assistir ao espetáculo do mundo, como diz numa das epígrafes do livro. Aqui, porém, ele se vê confrontado com os acontecimentos de 1936, em Portugal e fora dele; de um lado, a ditadura fascista de Salazar; de outro, a gestação da Segunda Guerra Mundial, a Frente Popular francesa, a Guerra Civil espanhola, a expansão nazista na Europa. Um confronto, enfim, com um mundo que decerto não era um espetáculo.
Ricardo Reis é uma criação de Fernando Pessoa. Mais propriamente, é um dos seus heterônimos. Talvez deva esclarecer que Fernando Pessoa teve uma obra multifacetada, que intencionalmente dividiu em 4 conjuntos, criando um heterônimo para assumir cada uma das diferentes facetas do seu trabalho. Eu, pessoalmente, prefiro os poemas que assinou com o próprio nome.
José Saramago ousou dar corpo a um desses personagens de ficção. Cria-lhe uma vida e fá-lo interagir com Fernando Pessoa (morto).
Esta ligação dura aproximadamente nove meses. Saramago leva-nos através de uma ideia inovadora. Demoramos nove meses para chegar ao mundo, e demoramos o mesmo tempo a deixá-lo. É um processo de transição, durante o qual o morto vai esquecendo o que foi estar vivo, os caminhos percorridos, os sentimentos vividos. Descobre que nada importa. Nada do que vivemos importa. Chegado ao fim desse tempo, o morto está pronto para partir.
No momento em que Pessoa vai despedir-se de Ricardo Reis, porque chegou a sua hora de deixar definitivamente o mundo, recebe uma resposta inesperada: “Vou consigo”. É um fim brilhante, para a história.
Que bom seria se para cada um de nós, a morte se tornasse efetiva no instante da nossa escolha. Algo como, simplesmente, desligar-se da vida.
O tema morte aparece muitas vezes na obra de Saramago. Recomenda-se a leitura de “As Intermitências da Morte”.
Neste magnífico romance, o heterônimo mais clássico do grande poeta português Fernando Pessoa, o horaciano Ricardo Reis, acha-se novamente em Lisboa, depois de uma temporada no Brasil, onde se auto-exilara. O ano é o de 1936. Médico, educado pelos jesuítas e monarquistas, ele é um sábio capaz de se contentar em assistir ao espetáculo do mundo, como diz numa das epígrafes do livro. Aqui, porém, ele se vê confrontado com os acontecimentos de 1936, em Portugal e fora dele; de um lado, a ditadura fascista de Salazar; de outro, a gestação da Segunda Guerra Mundial, a Frente Popular francesa, a Guerra Civil espanhola, a expansão nazista na Europa. Um confronto, enfim, com um mundo que decerto não era um espetáculo.
Quarta, 24 Junho 2009 13:52

Urca 2009.1 'Hai-Kais'

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Hai-kais
Millôr Fernandes, em seu livro 'Hai-kais', se vale da tradicional forma poética oriental para destilar sarcasmo, humor e poesia. É um livro singelo, despretensioso, mas que mostra o poder e a força métrica dos hai-kais. Ao traduzir o estilo para a realidade brasileira, introduz um estilo mais leve, mais humorístico, por vezes, pueril. Ainda assim não perde a essência reflexiva, a qualidade de contemplação do mundo. Millôr, neste livro, brasileiriza ao extremo os hai-kais, dando-lhes nova vida e perspectiva.

Hai Kai I
Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a Lua.
 
Hai Kai II
A palmeira e sua palma
Ondulam o ideal
Da calma.
 
Hai Kai III
O veludo
Tem um perfume
Mudo.
 
Hai Kai IV
Meu dinheiro
Vem todo
Do meu tinteiro
 
Hai Kai V
Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos

Comentário
Em Millôr densidade, secura, economia e comunicabilidade poética brilham diamantes.
 
Passeio aflito;
Tantos amigos
Já granito.

Nesse hai-kai a morte entrelaça ação (eu passeio; verbo) e local (o passeio; substantivo) num único vocábulo.  Semelhantemente à língua chinesa, a palavra perde a classe gramatical normativa para gerar uma gramática própria.  Isso é poesia.  O resto pode ser "sabor da nova geração", nunca poesia.
Considere, ainda, que o granito da laje tumular passa para o da calçada por onde o eu poético passeia. (Belíssimo!) Esse eu vai sendo, pouco a pouco, tomado pela aflição da saudade/lembrança de "tantos amigos". Quais amigos?  Todos.  Os que já se foram e os que caminham no horizonte do possível.  Eis aí o alcance da poesia de Millôr: abraçar o amigo particular, o amigo público, a dor universal dos "tantos amigos" indo ou idos.  Abraçar o sentimento doido de permanecer vivo com "tantos amigos / já granito".
Mas não só de morte vive a poesia de Millôr: política (reforma agrária, isolamento dos justos, inviabilidade da ação dos políticos); religião (anacronismo religioso, moralidade religiosa, vaidade passageira), amor (infidelidade amorosa, encantos da sexualidade feminina); condição humana (incomunicabilidade, solidão, desajuste social, cansaço de viver); poesia (o fazer poético, recriação de Bashô); natureza (aflitiva, lúdica, bela, devastada); mídia (medíocre e mediocrizante) são temas que marcam presença, como sé vê, ora cáustica, ora terna, em seus poemas.
Os Hai-Kais de Millôr são um verdadeiro presente de papai Noel. Certo; um papai Noel saído da canção de Assis Valente, a quem se pede a felicidade, duvidando. Mas de quem se recebe toda a beleza da poesia.  E Millôr dá as mãos a Assis Valente.
Ele gosta de usar o computador para escrever e desenhar. Uma das inteligências mais agudas deste país. Sensível e iluminado.
Arredio a entrevistas, recentemente rompeu o silencio e revelou muito do que pensa ao repórter do suplemento Idéias do JB. Uma visão cética, hilariante, incômoda ? mas sempre real e certeira.
É Millôr Fernandes, mais conhecido como humorista.  Na verdade, um fino pensador brasileiro.  E, agora, poeta. Quer dizer, poeta sempre foi; a reunião dos hai-kais e a publicação em livro é que consolidam um poeta e seu livro de poemas ? até então disperses.
O titulo do livro? Hai-Kais, simplesmente. Seleção dos 93 mais expressivos hai-kais que Millôr compôs nos últimos 30 anos. Um lançamento rigoroso da editora Nórdica para um belíssimo projeto gráfico de Vilmar Rodrigues.
O volume, de 21 x 21 em, capa dura branca, grafada em dourado, ainda conta com uma capa sobressalente amarela, ilustrada por Millôr. As cores, branco e amarelo, ora como moldura, ora como fundo de página, geram um vibrátil diálogo entre as páginas pares e as páginas impares. Aquilo que em outros livros escorrega para saturação, aqui desliza na precisão milimétrica informativa. E tensiona poemas e ilustrações num pique (timing) extraordinariamente arrebatador.
A beleza dos trabalhos de Millôr é valorizada pelo profissionalismo de Vilmar Rodrigues. Quem ganha é o leitor.  Os poemas encontram o meio de expressão adequado.
Eisenstein: "Um livro tem que estar na mão que o segura como se fosse um instrumento bem ajustado". Diante de Hai-Kais não há como não confirmar tais palavras e ainda, lembrar Borges: "Dos diversos instrumentos utilizados pelo homem, o mais espetacular é, sem dúvida, o livro”.
Millôr impõe-se (de leve, pela contra mão) um poeta da linha de frente da atual poesia brasileira. Não importa se a intelligentzia nacional rotula humorista de intelectual de segunda classe. Seus hai-kais fazem frente aos belissimos de Olga Savary.  Tiram de letra os de Alice Ruiz e saltam sobre os de Paulo Leminski.  Mas como sempre apareceram na página de humor de revistas e jornais, a critica os deixou na banca dos descartáveis.
Com esta publicação chega a hora de todo leitor tirar os óculos unidirecionais dos “preconceitos” e, oswaldianamente, arriscar o olhar dos olhos livres.
 
Amador Ribeiro Neto,  professor de Teoria da Literatura na UFPB e doutorando em Semiótica na PUC-SP, onde prepara tese sobre poesia e música popular.

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Sobre o Autor

  • José Roberto Duarte, iguatuense, professor do ensino básico, formado em Letras pela Universidade Estadual do…

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