Sexta, 26 Junho 2009 13:36

Enem sem 'chute'

Escrito por
Quem chutar no Enem terá pontuação menor, adverte Ministério da Educação
RICARDO GALLO, da Folha de S.Paulo
O Ministério da Educação adverte: não adianta chutar no Enem. Será possível identificar, com base no padrão das respostas de cada candidato, quem acertou aleatoriamente uma determinada questão.
Mais: no cálculo da nota, o peso atribuído ao acerto do "chutador" será inferior ao dos que responderam de modo correto por dominar o tema.
O sistema antichute é uma das características da TRI (Teoria de Resposta ao Item), adotada no novo Enem. Criado para substituir o vestibular nas universidades federais, o exame ocorre em 3 e 4 de outubro.
Com a TRI, as perguntas são “inteligentes” - sabe-se o perfil de quem acerta com maior probabilidade as mais fáceis, as intermediárias e as difíceis.
Isso ocorre graças a um banco com milhares de respostas de alunos que atualmente testam as questões do Enem. Além de estabelecer padrões de resposta, o teste também seleciona quais serão as 180 questões que comporão o Enem.
Participam dessa etapa estudantes do segundo ano do ensino médio e universitários primeiranistas. Os alunos do terceiro ano do ensino médio, público-alvo do Enem, ficaram de fora - para não terem acesso a uma pergunta que possam encontrar no exame.
É o padrão das milhares de respostas que revela o chute. Estatisticamente, quem erra questões mais fáceis não acerta as difíceis. Do mesmo modo, os que acertam as mais complexas não erram nas simples.
“É assim que a TRI permite identificar prováveis chutes na hora de calcular a nota do estudante”, diz Heliton Tavares, diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep (órgão do MEC responsável pelo Enem).

O segredo: coerência
Com um mecanismo que detecta respostas fora do padrão, qual o segredo para ir bem em uma prova como a do Enem? Ter um índice de acertos equilibrado e "coerente", diz Tadeu da Ponte, coordenador do vestibular do Insper (ex-Ibmec-SP). A instituição adotou pela primeira vez a TRI no vestibular de 31 de maio. A vantagem, segundo ele: maior precisão para escolher candidatos --e um vestibular com um número menor de perguntas.

Acertos
Também em razão da TRI, a prova do Enem não será avaliada pelo percentual de acertos, como em um vestibular convencional. Embora também leve em conta quem acerta mais, o exame atribui um peso a cada pergunta ou grupo delas --assim, responder de modo correto oito em dez questões não representa 80% na nota final.
Tavares usa o esporte para comparar os dois mecanismos: o vestibular clássico é o futebol, em que fazer gol vale um; o Enem, o basquete --em que é possível, a depender da distância, fazer dois ou três pontos.
O resultado será específico para cada tema (português, matemática, ciências da natureza e ciências humanas). Não haverá nota, mas sim uma pontuação que, em uma escala, definirá o grau de habilidades e conhecimentos do aluno. O mais provável é que a escala vá de 100 a 500 pontos, diz o Inep.
Sobre a divisão de questões, diz o diretor do Inep, é provável que o exame tenha 25% de fáceis, 50% de intermediárias e 25% de difíceis.
Há necessidade de perguntas mais simples porque o Enem não será usado apenas como vestibular das federais. Servirá também para avaliar o conhecimento dos alunos que deixam o ensino médio, para aqueles que fizeram o antigo supletivo e para quem quer entrar no ProUni -programa que dá bolsas para alunos de baixa renda em universidades particulares.
Sexta, 26 Junho 2009 13:16

Morte na USP

Escrito por
Justiça condena ex-aluno da USP a 18 anos de prisão por morte de colega
A Justiça de São Paulo condenou nesta quinta-feira a 18 anos de prisão o ex-estudante de jornalismo Fábio Le Senechal Nanni, acusado de esfaquear e matar o colega Rafael Azevedo Fortes Alves, de 21 anos, dentro da USP (Universidade de São Paulo).
O crime aconteceu em outubro de 2005. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Nanni foi condenado pelo crime de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Em sua sentença, o juiz ressaltou o fato de o ex-estudante a vítima serem amigos: “A conduta é reveladora de dolo intenso, de desrespeito à vítima, pessoa jovem e de futuro promissor como revela o conteúdo da prova”. O crime aconteceu no dia 14 de outubro de 2005, na Rádio USP, onde Alves trabalhava como estagiário. Nanni entrou na rádio e conversou com a vítima por alguns minutos. Em seguida, sacou uma faca e golpeou o colega. Os dois, que moravam na mesma república de estudantes e cursavam o segundo ano de jornalismo, haviam discutido na noite anterior ao crime. Segundo relatos de amigos, a discussão teria se iniciado porque Nanni insistia em conversar com o amigo.
O Ano da Morte de Ricardo Reis - José Saramago

Neste magnífico romance, o heterônimo mais clássico do grande poeta português Fernando Pessoa, o horaciano Ricardo Reis, acha-se novamente em Lisboa, depois de uma temporada no Brasil, onde se auto-exilara. O ano é o de 1936. Médico, educado pelos jesuítas e monarquistas, ele é um sábio capaz de se contentar em assistir ao espetáculo do mundo, como diz numa das epígrafes do livro. Aqui, porém, ele se vê confrontado com os acontecimentos de 1936, em Portugal e fora dele; de um lado, a ditadura fascista de Salazar; de outro, a gestação da Segunda Guerra Mundial, a Frente Popular francesa, a Guerra Civil espanhola, a expansão nazista na Europa. Um confronto, enfim, com um mundo que decerto não era um espetáculo.

Ricardo Reis é uma criação de Fernando Pessoa. Mais propriamente, é um dos seus heterônimos. Talvez deva esclarecer que Fernando Pessoa teve uma obra multifacetada, que intencionalmente dividiu em 4 conjuntos, criando um heterônimo para assumir cada uma das diferentes facetas do seu trabalho. Eu, pessoalmente, prefiro os poemas que assinou com o próprio nome.

José Saramago ousou dar corpo a um desses personagens de ficção. Cria-lhe uma vida e fá-lo interagir com Fernando Pessoa (morto).

Esta ligação dura aproximadamente nove meses. Saramago leva-nos através de uma ideia inovadora. Demoramos nove meses para chegar ao mundo, e demoramos o mesmo tempo a deixá-lo. É um processo de transição, durante o qual o morto vai esquecendo o que foi estar vivo, os caminhos percorridos, os sentimentos vividos. Descobre que nada importa. Nada do que vivemos importa. Chegado ao fim desse tempo, o morto está pronto para partir.
No momento em que Pessoa vai despedir-se de Ricardo Reis, porque chegou a sua hora de deixar definitivamente o mundo, recebe uma resposta inesperada: “Vou consigo”. É um fim brilhante, para a história.

Que bom seria se para cada um de nós, a morte se tornasse efetiva no instante da nossa escolha. Algo como, simplesmente, desligar-se da vida.

O tema morte aparece muitas vezes na obra de Saramago. Recomenda-se a leitura de “As Intermitências da Morte”.

Neste magnífico romance, o heterônimo mais clássico do grande poeta português Fernando Pessoa, o horaciano Ricardo Reis, acha-se novamente em Lisboa, depois de uma temporada no Brasil, onde se auto-exilara. O ano é o de 1936. Médico, educado pelos jesuítas e monarquistas, ele é um sábio capaz de se contentar em assistir ao espetáculo do mundo, como diz numa das epígrafes do livro. Aqui, porém, ele se vê confrontado com os acontecimentos de 1936, em Portugal e fora dele; de um lado, a ditadura fascista de Salazar; de outro, a gestação da Segunda Guerra Mundial, a Frente Popular francesa, a Guerra Civil espanhola, a expansão nazista na Europa. Um confronto, enfim, com um mundo que decerto não era um espetáculo.

O Ano da Morte de Ricardo Reis - José Saramago
Neste magnífico romance, o heterônimo mais clássico do grande poeta português Fernando Pessoa, o horaciano Ricardo Reis, acha-se novamente em Lisboa, depois de uma temporada no Brasil, onde se auto-exilara. O ano é o de 1936. Médico, educado pelos jesuítas e monarquistas, ele é um sábio capaz de se contentar em assistir ao espetáculo do mundo, como diz numa das epígrafes do livro. Aqui, porém, ele se vê confrontado com os acontecimentos de 1936, em Portugal e fora dele; de um lado, a ditadura fascista de Salazar; de outro, a gestação da Segunda Guerra Mundial, a Frente Popular francesa, a Guerra Civil espanhola, a expansão nazista na Europa. Um confronto, enfim, com um mundo que decerto não era um espetáculo.
Ricardo Reis é uma criação de Fernando Pessoa. Mais propriamente, é um dos seus heterônimos. Talvez deva esclarecer que Fernando Pessoa teve uma obra multifacetada, que intencionalmente dividiu em 4 conjuntos, criando um heterônimo para assumir cada uma das diferentes facetas do seu trabalho. Eu, pessoalmente, prefiro os poemas que assinou com o próprio nome.
José Saramago ousou dar corpo a um desses personagens de ficção. Cria-lhe uma vida e fá-lo interagir com Fernando Pessoa (morto).
Esta ligação dura aproximadamente nove meses. Saramago leva-nos através de uma ideia inovadora. Demoramos nove meses para chegar ao mundo, e demoramos o mesmo tempo a deixá-lo. É um processo de transição, durante o qual o morto vai esquecendo o que foi estar vivo, os caminhos percorridos, os sentimentos vividos. Descobre que nada importa. Nada do que vivemos importa. Chegado ao fim desse tempo, o morto está pronto para partir.
No momento em que Pessoa vai despedir-se de Ricardo Reis, porque chegou a sua hora de deixar definitivamente o mundo, recebe uma resposta inesperada: “Vou consigo”. É um fim brilhante, para a história.
Que bom seria se para cada um de nós, a morte se tornasse efetiva no instante da nossa escolha. Algo como, simplesmente, desligar-se da vida.
O tema morte aparece muitas vezes na obra de Saramago. Recomenda-se a leitura de “As Intermitências da Morte”.
Neste magnífico romance, o heterônimo mais clássico do grande poeta português Fernando Pessoa, o horaciano Ricardo Reis, acha-se novamente em Lisboa, depois de uma temporada no Brasil, onde se auto-exilara. O ano é o de 1936. Médico, educado pelos jesuítas e monarquistas, ele é um sábio capaz de se contentar em assistir ao espetáculo do mundo, como diz numa das epígrafes do livro. Aqui, porém, ele se vê confrontado com os acontecimentos de 1936, em Portugal e fora dele; de um lado, a ditadura fascista de Salazar; de outro, a gestação da Segunda Guerra Mundial, a Frente Popular francesa, a Guerra Civil espanhola, a expansão nazista na Europa. Um confronto, enfim, com um mundo que decerto não era um espetáculo.
Quarta, 24 Junho 2009 13:52

Urca 2009.1 'Hai-Kais'

Escrito por
Hai-kais
Millôr Fernandes, em seu livro 'Hai-kais', se vale da tradicional forma poética oriental para destilar sarcasmo, humor e poesia. É um livro singelo, despretensioso, mas que mostra o poder e a força métrica dos hai-kais. Ao traduzir o estilo para a realidade brasileira, introduz um estilo mais leve, mais humorístico, por vezes, pueril. Ainda assim não perde a essência reflexiva, a qualidade de contemplação do mundo. Millôr, neste livro, brasileiriza ao extremo os hai-kais, dando-lhes nova vida e perspectiva.

Hai Kai I
Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a Lua.
 
Hai Kai II
A palmeira e sua palma
Ondulam o ideal
Da calma.
 
Hai Kai III
O veludo
Tem um perfume
Mudo.
 
Hai Kai IV
Meu dinheiro
Vem todo
Do meu tinteiro
 
Hai Kai V
Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos

Comentário
Em Millôr densidade, secura, economia e comunicabilidade poética brilham diamantes.
 
Passeio aflito;
Tantos amigos
Já granito.

Nesse hai-kai a morte entrelaça ação (eu passeio; verbo) e local (o passeio; substantivo) num único vocábulo.  Semelhantemente à língua chinesa, a palavra perde a classe gramatical normativa para gerar uma gramática própria.  Isso é poesia.  O resto pode ser "sabor da nova geração", nunca poesia.
Considere, ainda, que o granito da laje tumular passa para o da calçada por onde o eu poético passeia. (Belíssimo!) Esse eu vai sendo, pouco a pouco, tomado pela aflição da saudade/lembrança de "tantos amigos". Quais amigos?  Todos.  Os que já se foram e os que caminham no horizonte do possível.  Eis aí o alcance da poesia de Millôr: abraçar o amigo particular, o amigo público, a dor universal dos "tantos amigos" indo ou idos.  Abraçar o sentimento doido de permanecer vivo com "tantos amigos / já granito".
Mas não só de morte vive a poesia de Millôr: política (reforma agrária, isolamento dos justos, inviabilidade da ação dos políticos); religião (anacronismo religioso, moralidade religiosa, vaidade passageira), amor (infidelidade amorosa, encantos da sexualidade feminina); condição humana (incomunicabilidade, solidão, desajuste social, cansaço de viver); poesia (o fazer poético, recriação de Bashô); natureza (aflitiva, lúdica, bela, devastada); mídia (medíocre e mediocrizante) são temas que marcam presença, como sé vê, ora cáustica, ora terna, em seus poemas.
Os Hai-Kais de Millôr são um verdadeiro presente de papai Noel. Certo; um papai Noel saído da canção de Assis Valente, a quem se pede a felicidade, duvidando. Mas de quem se recebe toda a beleza da poesia.  E Millôr dá as mãos a Assis Valente.
Ele gosta de usar o computador para escrever e desenhar. Uma das inteligências mais agudas deste país. Sensível e iluminado.
Arredio a entrevistas, recentemente rompeu o silencio e revelou muito do que pensa ao repórter do suplemento Idéias do JB. Uma visão cética, hilariante, incômoda ? mas sempre real e certeira.
É Millôr Fernandes, mais conhecido como humorista.  Na verdade, um fino pensador brasileiro.  E, agora, poeta. Quer dizer, poeta sempre foi; a reunião dos hai-kais e a publicação em livro é que consolidam um poeta e seu livro de poemas ? até então disperses.
O titulo do livro? Hai-Kais, simplesmente. Seleção dos 93 mais expressivos hai-kais que Millôr compôs nos últimos 30 anos. Um lançamento rigoroso da editora Nórdica para um belíssimo projeto gráfico de Vilmar Rodrigues.
O volume, de 21 x 21 em, capa dura branca, grafada em dourado, ainda conta com uma capa sobressalente amarela, ilustrada por Millôr. As cores, branco e amarelo, ora como moldura, ora como fundo de página, geram um vibrátil diálogo entre as páginas pares e as páginas impares. Aquilo que em outros livros escorrega para saturação, aqui desliza na precisão milimétrica informativa. E tensiona poemas e ilustrações num pique (timing) extraordinariamente arrebatador.
A beleza dos trabalhos de Millôr é valorizada pelo profissionalismo de Vilmar Rodrigues. Quem ganha é o leitor.  Os poemas encontram o meio de expressão adequado.
Eisenstein: "Um livro tem que estar na mão que o segura como se fosse um instrumento bem ajustado". Diante de Hai-Kais não há como não confirmar tais palavras e ainda, lembrar Borges: "Dos diversos instrumentos utilizados pelo homem, o mais espetacular é, sem dúvida, o livro”.
Millôr impõe-se (de leve, pela contra mão) um poeta da linha de frente da atual poesia brasileira. Não importa se a intelligentzia nacional rotula humorista de intelectual de segunda classe. Seus hai-kais fazem frente aos belissimos de Olga Savary.  Tiram de letra os de Alice Ruiz e saltam sobre os de Paulo Leminski.  Mas como sempre apareceram na página de humor de revistas e jornais, a critica os deixou na banca dos descartáveis.
Com esta publicação chega a hora de todo leitor tirar os óculos unidirecionais dos “preconceitos” e, oswaldianamente, arriscar o olhar dos olhos livres.
 
Amador Ribeiro Neto,  professor de Teoria da Literatura na UFPB e doutorando em Semiótica na PUC-SP, onde prepara tese sobre poesia e música popular.

Quarta, 24 Junho 2009 13:16

Urca 2009.1 'A Carta'

Escrito por
Pero Vaz de Caminha
O primeiro jornalista e o poeta do descobrimento do Brasil
Todo mundo já ouviu falar de “Pero Vaz de Caminha”, o qual fez e enviou uma carta ao Rei de Portugal e quase sempre se houve dizer: aquele que disse a respeito do Brasil, mas, nas entranhas do assunto quase ninguém comenta a realidade dessa carta maravilhosa, que nos deu a formatação deste imenso Brasil, um presente que Portugal nos deu e quem foi o ilustre cidadão português? O que ele era? E como foi indicado para relatar essa viagem? É o que vamos detalhar.
O principal documento sobre a descoberta do Brasil saiu da pena de Pero Vaz de Caminha, que era amigo do Rei de Portugal D. Manuel I, e por ele indicado para ser o cronista dessa viagem que durou 54 dias, sendo que o mesmo anotou tudo que se passou desde a saída de Lisboa com 13 navios e do porto do Restelo no dia 09 de março de 1500 e a chegada ao Brasil no dia 22 de abril desse mesmo ano.
Na sua crônica de 14 folhas em um papel de “florete”, detalhou essa viagem, muitas vezes com coisas pitorescas, outras com poesias, falando desse local, dessa terra de árvores e florestas, onde os homens andavam nus e ficou provado mais uma vez que o Brasil já era do conhecimento dos Reis de Portugal e vindo a baixo a tese que foi descoberto por acaso, uma vez que já conheciam essas terras desde o ano de 1300, prova disso com o tratado da “Bula Inter-Pares” do Papa e depois o “Tratado das Tordesilhas” e o porquê de enviar 13 navios com quase 5 mil homens, para que? na realidade para tomar posse das terras descobertas por “Sancho Brandão” português, que no ano de 1300 descobriu as terras do Brasil e o Rei de Portugal guardou todos os detalhes na “Torre do Tombo” em Lisboa, com receio de que a “Catalunha Espanha” pudesse saber e vir para o Brasil, uma vez que quem demarcava as terras descobertas era o “Papa” na época a “ONU” mundial e o Papa era Espanhol, e só após a descoberta da América por Colombo, que despertou o temor de Portugal e aí o Papa já era alemão, resolveram dar seqüência à descoberta, criando essa viagem fantástica.
A carta de Pêro Vaz de Caminha seguiu para Portugal no dia 02 de maio de 1500, e ficou escondida na Torre do Tombo por dois séculos e meio, e só foi descoberta em 1773 pelo guarda-mor do arquivo da Torre do Tombo e só foi publicada no ano de 1817. Esse original chegou a vir para o Brasil em meio a documentos da Biblioteca da Academia Real dos Guarda-Marinhas, após anos da família real vir para o Brasil no início do século 19 e retornou a Portugal, estando guardada num cofre da própria Torre do Tombo, como o mais sagrado documento da descoberta do fenomenal Brasil, ou seja, a Certidão de Nascimento do Brasil que prova que a mãe-pátria foi a mãe e o pai do Brasil.
Nenhum país do mundo tem a sua certidão de nascimento feita no seu nascedouro, ele foi o tabelião dessa grandeza toda, uma obra prima de um mestre jornalístico, feita por um cidadão lusitano cheio de uma visão magnética e poética, ele, Caminha foi o maior cronista da história do Brasil e de Portugal.
Para conhecimento das pessoas, vou transcrever um trecho dessa maravilhosa carta, a “Carta de Pero Vaz de Caminha”:
SENHOR, Posto que o capitão-mor dessa vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova de achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora a achou. Não deixarei também de dar minha conta a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que para o em contar e falar, o saiba fazer pior que todos.
Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para alindar nem afrear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.
Naturalmente a carta foi escrita ainda na mudança do português arcaico para o português moderno. Depois descreve toda a viagem e no final, diz o seguinte: E dessa maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra eu vi. E, se algum pouco me alonguei, me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo dizer, me fez pôr assim pelo miúdo. Beijo as mãos de Vossa Alteza,
Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500.
 
Pero Vaz de Caminha.

Calendário

« Setembro 2018 »
Seg. Ter Qua Qui Sex Sáb. Dom
          1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30

Sobre o Autor

  • José Roberto Duarte, iguatuense, professor do ensino básico, formado em Letras pela Universidade Estadual do…

Parceiros